terça-feira, 30 de novembro de 2010

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.


Das Homilias sobre o Evangelho de João, de São João Crisóstomo, bispo

(Hom. 19,1: PG 59,120-121)

(Séc.IV)


Encontramos o Messias

André, tendo permanecido com Jesus e aprendido com ele muitas coisas, não escondeu o tesouro só para si mas correu depressa à procura de seu irmão, para fazê-lo participar da sua descoberta. Repara o que lhe disse: Encontramos o Messias (que quer dizer Cristo) (Jo 1,41).

Vede como logo revela o que aprendera em pouco tempo! Demonstra assim o valor do Mestre que o persuadira, bem como a aplicação e o zelo daqueles que, desde o princípio, já estavam atentos. Esta expressão, com efeito, é de quem deseja intensamente a sua vinda, espera aquele que deveria vir do céu, exulta de alegria quando ele se manifestou, e se apresa em comunicar aos outros a grande notícia.

Repara também a docilidade e a prontidão de espírito de Pedro. Acorre imediatamente. E conduziu-o a Jesus (Jo 1,42), afirma o Evangelho. Mas ninguém condene a facilidade com que, não sem muita reflexão, aceitou a notícia. É provável que o irmão lhe tenha falado pormenorizadamente mais coisas. Na verdade, os evangelistas sempre narram muitas coisas resumidamente, por razões de brevidade. Aliás, não afirma que acreditou logo, mas: E conduziu-o a Jesus (Jo 1,42), e a ele o confiou para que aprendesse com Jesus todas as coisas.

Estava ali, também, outro discípulo que viera com os mesmos sentimentos.

Se João Batista, quando afirma: Eis o Cordeiro e batiza no Espírito Santo (cf. Jo 1,29.33), deixou mais clara, sobre esta questão, a doutrina que seria dada pelo Cristo, muito mais fez André. Pois, não se julgando capaz de explicar tudo, conduziu o irmão à própria fonte da luz, tão contente e pressuroso, que não duvidou sequer um momento.

O Selo Prêmio Sunshine Award chegou à Confraria!




O Blog Vandeanos da Fé escolheu esta Confraria para receber o Selo Prêmio Sunshine Award, que representa a indicação por estar na lista entre os melhores Blogs do Brasil.

Significa que está sendo reconhecido nosso trabalho (que, espero, sirva para manter os católicos informados sobre as riquezas de sua Igreja, para que as ponham em prática, e que se afastem dos falsos profetas - para cumprimento da vontade divina e pela salvação de suas almas, omnia ad maiorem Dei gloriam).

Quem nos indicou foi o Vandeanos da Fé, pela pessoa do Ângelo Miguel, uma alma de cavalheiro, moderador desse bem conceituado blog católico: http://vandeanosdafe.blogspot.com, o qual indico e recomendo a visita e leitura. Isso sem contar o Almas Castelos: http://almascastelos.blogspot.com.

Grato, Ângelo! Agradeço de coração ao blog , honrando-nos com tal indicação e distinção.

Quem recebe o selo deve seguir algumas regras:

1 - Criar um artigo sobre o prêmio.
2 - criar um link do blog que o indicou.
3 - Indicar 12 blogs para o Sunshine Awards (não tem problema indicar para alguém que já recebeu)
4 - Informar aos indicados sobre o prêmio.

Conheço muitos blogs católicos excelentes, e por isso é muito dificil indicar apenas doze para o prêmio, então indico os seguintes blogs para receber o selo:

1. Blog do Angueth: http://angueth.blogspot.com/
2. Index Bonorvm: http://indexbonorvm.blogspot.com/
3. Jovens e Namoros: http://jovensenamoros.blogspot.com/
4. Movimento dos Amigos da Realeza de Cristo:http://realezadecristo.blogspot.com/
5. A Igreja, a Reforma e a Civilização: http://igrejareformacivilizacao.blogspot.com/
6. Almas Castelos: http://almascastelos.blogspot.com/
7. Luciano Ayan: http://lucianoayan.wordpress.com/
8. São Pio V: http://www.saopiov.org/
9. A Igreja Doméstica: http://familia-igreja-domestica.blogspot.com/
10.Pe. David Francisquini: http://blogpedavid.blogspot.com/
11.Sinais no Mundo: http://sinaisnomundo.blogspot.com/
12.Índice de Mentiras Evangélicas: http://mentiras-evanglicas-e-outras.blogspot.com/

Aproveitem e façam-lhes uma visita!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Narco-terroristas brasileiros e o discurso comunista / socialista de luta de classes (mais um fruto podre do comunismo / socialismo).


Postagem do ótimo blog Notalatina:

Há quase oito anos o tema recorrente do Notalatina é os movimentos terroristas na América Latina, onde as FARC ocupam papel de destaque sempre, não só pelas suas ações criminosas mas porque estão intimamente ligadas às 50.000 mortes de brasileiros anualmente e por seus laços com o partido governante através do Foro de São Paulo. E apesar de sempre ter tido o cuidado de apresentar as provas do que denuncio, a repercussão sempre foi pífia, quando não o escárnio, o deboche, as ameaças nem sempre veladas e a célebre - mas ignorante - frase que “as FARC são problema da Colômbia”. Hoje passo a demonstrar que as FARC são um problema nosso, sim.

Em fins de abril do ano passado Lula declarou à imprensa em Rio Branco (AC), que as FARC deveriam se transformar em partido político se quisessem chegar ao poder, citando como exemplo ele mesmo e o índio cocalero Evo Morales, seguindo ditames do Foro de São Paulo. Em maio deste ano, foi preso em Manaus um terrorista das FARC de cognome “Tatareto” que vivia no Brasil há mais de 4 anos e que, muito provavelmente, substituiu o “Negro Acacio”, abatido em dezembro de 2008 e que era o elo desta organização narco-terrorista com “Fernandinho Beira-Mar”. A Colômbia pediu a extradição de “Tatareto” que não só não foi concedida como o destino dele permanece no mais absoluto sigilo. Pesquisando no “Google”, tudo que se encontra sobre este elemento é a notícia de sua detenção e o pedido de extradição, tudo datado de maio deste ano. De lá para cá, “Tatareto” permanece como a Conceição da música de Cauby Peixoto: “ninguém sabe, ninguém viu”.

E então, quarta-feira passada eu recebo do amigo José Roldão um panfleto escrito em conjunto pelos bandos narco-traficantes do Rio (e terroristas também, sim!) CV (Comando Vermelho), ADA (Amigo dos Amigos) e TCP (este eu desconheço o significado), onde eles se auto-denominam “Partidos”, conclamando a população habitante das favelas a pegar em armas contra os policiais que estão reprimindo o tráfico, e a atacar os “ricos”. Transcrevo literalmente (com todos os erros gramaticais) o que diz o tal panfleto, para que vocês vejam a que grau de ousadia e certeza de impunidade chegaram esses comparsas das FARC:

“Foi decretada pela união dos partidos CV, ADA e TCP todos os partidos que tenha respeito e lealdade, força, humildade e amor no coração e muita dignidade a favor de todas as comunidades, por favor se unam a nós.

Foi decretado pela união dos partidos, que quando tiver repressão da polícia em qualquer favela fazendo covardia, derramando o sangue, todas as comunidades pegarão seus fuzis e atiraram em prédios, em carros importados e no que tem de mais rico e próximo a sua favela, saqueando empresas, lojas, mercados!

Foi decretado pela união dos partidos, que cada morador inocente pobre que a polícia matar, morrerá duas pessoas ricas.

Foi decretado pela união dos partidos, que cada integrante do partido que a polícia matar morrerá dois policiais e seus familiares, pela união das comunidades que se cansou da covardia dos policiais e do sistema, porque são eles que trazem as drogas e as armas, o empresário financia e a polícia facilita, ficam os políticos roubando bilhões, matando muita gente só com uma caneta, depois quer mandar quem trás as drogas e as armas para o partido vir aqui na comunidade e matar inocente pobre não dá lucro para a boca de fumo, quem compra todas drogas são as classes médias e os ricos.

Irmão, pode piar em qualquer favela olhando na bola dos olhos, mostrar que esse modo de agir é retrólogo, a revolução verbal é aterrorizadora, junta seus pedaços e vem pra arena, nosso irmão do PCC falou que o inimigo está de terno e gravata em nome da paz e a favor de todas as favelas, que é a hora da união, da revolução. Definitivamente, sem união não dá, então vamos todos juntos”.


Os grifos fora meus. Perceberam o velho marxismo da luta de classes escancarado no texto? Esse é o mesmo “argumento” que as FARC usam quando querem praticar algum atentado terrorista, mesmo que as vítimas sejam pobres camponeses sem eira nem beira ou mesmo pequenos agricultores. Agora, se o presidente do Brasil afirma que as FARC não são terroristas e que devem se tornar “partidos políticos” para chegar ao poder, por que os bandidos tupinikins também não podem? Teriam o aval de Lula para tal empreendimento? Não duvido muito, até porque, no primeiro turno das eleições presidenciais a terrorista teve 65% dos votos válidos dos presidiários!

A população está esmagadoramente apoiando o cerco policial com ajuda dos militares da Marinha e Fuzileiros Navais mas me pergunto: quantas dessas pessoas sabem que são as FARC, com apoio do governo nacional, de políticos, empresários e até juízes, que proporcionam as armas e drogas para os traficantes desses bandos? Tenho certeza que a massa, o grosso da população brasileira não sabe nada disso porque, se soubesse, não teriam elegido a terrorista nem nenhum de seus camaradas.

Com a proibição da posse e porte de armas para as pessoas decentes, desarmou-se os brasileiros da legítima defesa enquanto os bandidos continuaram comprando armas das FARC. Também desarmou-os moral e intelectualmente quando se sonegou informações sobre o Foro de São Paulo e suas alianças com as FARC, essas que abastecem o mercado do tráfico e que hoje apavora os habitantes dos morros e favelas cariocas. Além disso, esta imprensa que hoje faz uma cobertura espetaculosa com fingido horror, é responsável pelas coisas terem chegado a esse termo, pois silenciaram cúmplices sobre o Foro de São Paulo e mantiveram o tráfico, eles mesmos e as classes artística e a dita “intelectual”, se abastecendo desta droga que hoje dizem repudiar.

E, confesso, não sou nem um pouco otimista quanto a esta operação, pois os capos estão sendo preservados e vão continuar impunes acobertados por este governo amigo de terroristas. O que fizeram com “Tatareto”? Por onde anda - e como vive - Fernandinho Beira-Mar? E Marcola? E Elias Maluco? De que maneira estão sendo “tratados” estes amigos das FARC? Não se iludam com este fogo de palha. Lembro que o Plano Colômbia, protagonizado por Bill Clinton, teve como objetivo encoberto eliminar os narcos pequenos para fortalecer as FARC, resultado obtido com o maior sucesso. E aqui, quem são os protegidos que sairão deste embate fortalecidos? Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários: G. Salgueiro
http://notalatina.blogspot.com/2010/11/as-farc-e-o-cerco-aos-traficantes.html

Nota da Confraria: nossas "comunidades" (pelo menos seus membros bandidos)estão realmente carentes.

Carentes de bons princípios, de educação (respeito ao próximo e aos seu patrimônio), de alfabetização e boas leituras, de confessar e penitenciarem-se dos pecados (como a inveja e a ganância / avareza, além do roubo e do assassinato), de formas musicais aprimoradas (acabem com a feiúra do funk, rap e do axé!), e carentes de INTELIGÊNCIA, pois os chefões dos narco-terroristas são ricos e se enriquecem com uma velocidade espantosa explorando idiotas úteis em bocas de fumo até a morte (literalmente sendo fuzilados e metralhados por rivais ou policiais e sendo repostos como COISAS) - portanto tais chefes do tráfico deveriam ser os PRIMEIROS A MORRER E A DIVIDIR SUAS RIQUEZAS COM OS POBRES QUE DIZEM DEFENDER MAS QUE AMEAÇAM SUAS VIDAS, SUA PAZ E SUA LIBERDADE.

Está mais que provado que AS ATIVIDADES CRIMINOSAS (excetuando-se o furto famélico - por desespero para sobreviver) SÃO COMETIDAS POR ÓDIO OU GANÂNCIA MAIS DO QUE A DESCULPA ESFARRAPADA DA FALTA DE OPORTUNIDADES (só se for para tornar-se milionário).

PAREM DE ACREDITAR NOS PREGADORES SOCIALISTAS / COMUNISTAS, OS FALSOS PROFETAS DOS NOSSOS TEMPOS!

Quem e por que deixaram os bandidos fugirem? Parte III - e última.


Ouvindo notícias sobre a tomada policial (assim espero) do Morro do Alemão, o repórter de uma rádio se dizia desconfortável com o fato de que os moradores não queriam gravar entrevistas mesmo sob anonimato. E que alguns jovens ameaçavam até pessoas mais idosas se resolvessem falar. Isso além de vários jovens, mesmo adolescentes, participarem de saques de mansões dos chefões traficantes em plena favela (!!!).

Um dos maiores efeitos de comportamentos criminosos ou anti-sociais é justamente a semente do mau exemplo para as gerações seguintes, formando uma tradição (algo que se passa de geração a geração) de terror, cada vez mais aprimorada com as experiências próprias e anteriores somadas.

Os sucessores dos bandidos já se encontram escolados e diplomados. É só uma questão de oportunidade e conveniência. Por isso, toda repressão ao crime precisa ser firme pois qualquer empreendimento humano funciona na base do custo-benefício. "Se o crime compensar, vale apena arriscar", pensam eles. Moderação na repressão ao crime ou ao ato anti-social é como atacar uma infecção generalizada com chá de hortelã ao invés de fortes antibióticos injetáveis: morte certa do organismo!

Fica mais esta denúncia contra o comunismo e o liberalismo (que antecede e abre as portas para o comunismo/socialismo): não se confunde liberdade com tolerância ao crime, nem se confunde criminoso com guerreiro pela libertade e contra a opressão e exclusão.

Se o clero fosse mais ativo em ensinar e defender a fé católica, propiciando sua prática, denunciando as pilantragens liberais ou socialistas (a começar pela teologia da libertação e a estatolatria das "políticas públicas", muitas das quais demagogias caríssimas e ineficientes), teríamos menos comportamentos assim.

Não se justificam atos de banditismo com falácias do tipo "busca da igualdade", "luta contra injustiças", "falta de oportunidades", etc. Ser pobre não torna ninguém um bandido. Aliás, políticos corruptos e empresários desonestos não são pobres. O crime é cometido por um coração sem bons princípios. Cristo ensinava que as coisas ruins saem de um coração cheio de coisas ruins. A cura está em pacificar esse coração, não em suborná-lo com aulas para manter os jovens ocupados (terapia ocupacional - uma prova de que a vadiagem é a mãe do crime) e bolsas de auxílios disso ou daquilo (prova de que a preguiça e a irresponsabilidade são os pais dos vícios). Ser bandido é ser bandido, ponto!

Povo pacífico e ordeiro precisa de menos polícia. Falta educação (não essa educação idolatrada das escolas, onde se doutrina muito e se ensina pouco, sem contar com maus exemplos de estudantes agressivos e preguiçosos). Falta saúde espiritual. Falta vontade de trabalhar.

Faltando a educação da fé, da oração, dos bons exemplos de vida (curiosamente, playboys e maloqueiros, ambos anti-sociais e criminosos, têm um ponto comum: falta-lhes presença positiva dos pais, principalmente de um pai), o único recurso que resta é a repressão.

Tirar a bandidagem das ruas e becos é mais ou menos fácil. Tirar a bandidagem do coração de certas pessoas é que é mais difícil.

sábado, 27 de novembro de 2010

Quem deixou e por que deixaram os bandidos fugirem? Parte II.



A doutrina da Igreja nunca afastou o recurso à pena de morte como medida drástica contra esses monstros: CIC, "2267. A doutrina tradicional da Igreja, desde que não haja a mínima dúvida acerca da identidade e da responsabilidade do culpado, não exclui o recurso à pena de morte, se for esta a única solução possível para defender eficazmente vidas humanas de um injusto agressor."

Bandido com arma de guerra = terrorista, guerrilheiro (precisa ser tratado como ameaça à segurança nacional, isto é, ser fuzilado, explodido por mísseis, incendiado por napalm e esmagado por tanques).

Quem disse que o bandido fuzilado, queimado e esmagado não o foi senão por legítima defesa própria e de terceiros e no mais estrito cumprimento do dever legal de defender vidas inocentes e repelir agressões? Não falei em guerras de extermínio, antes que incautos me chamem de impiedoso (veja comentários à postagem anterior).

Evidentemente que todo esforço deve ser feito no sentido de não matar, mas, se não houver outra saída, paciência…

A Igreja ensina que: “Se os meios não sangrentos bastarem para defender as vidas humanas contra o agressor e para proteger a ordem pública e a segurança das pessoas, a autoridade se limitará a esses meios, porque correspondem melhor às condições concretas do bem comum e estão mais conformes à dignidade da pessoa humana” (João Paulo II, enc. EV, 56 (1995); Cat. §2267).

O Catecismo da Igreja ensina no §2263 que: “A legítima defesa das pessoas e das sociedades não é uma exceção à proibição de matar o inocente, que caracteriza o homicídio voluntário: “A ação de defender-se pode acarretar um duplo efeito: um é a conservação da própria vida, o outro é a morte do agressor… (S. Tomás de Aquino, S. Th. II-II, 64,7). Só se quer o primeiro; o outro não” (idem). Neste caso não se deseja matar o agressor, mas defender a própria vida e a de inocentes. Não há a intenção maldosa de matar.

A Igreja também ensina que: “O amor a si mesmo permanece um princípio fundamental da moralidade. Portanto, é legitimo fazer respeitar o próprio direito à vida. Quem defende sua vida não é culpável de homicídio, mesmo se for obrigado a matar o agressor” (§2264). O que não se pode é usar de violência mais do que necessário. “E não é necessário para a salvação omitir este ato de comedida proteção, para evitar matar o outro; porque, antes da de outrem, se está obrigado a cuidar da própria vida” (idem).

O Catecismo chega a dizer que: “A legítima defesa pode ser não somente um direito, mas um dever grave, para aquele que é responsável pela vida de outros, pelo bem comum da família ou da sociedade. Preservar o bem comum da sociedade exige que o agressor se prive das possibilidades de prejudicar a outrem… Por razões análogas os detentores de autoridade têm o direito de repelir pelas armas os agressores da comunidade civil pela qual são responsáveis” (§2265). Isto deixa claro pela Igreja que os profissionais que trabalham com a segurança das pessoas devem defende-las mesmo usando da violência se for preciso para salvaguardar a vida dos inocentes.

Portanto, há que se fazer de tudo para não matar, mesmo ao agressor injusto, mas, se não houver outra saída para se defender a própria vida e a de pessoas inocentes, a vida a ser sacrificada deve ser a do agressor. Isto é o que a moral católica ensina como “mal menor”. Ele só pode ser alegado quando não se tem outra alternativa para se fazer o bem.

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br e http://cristoreinosso.blogspot.com/2010/11/e-legitimo-matar-alguem-em-legitima.html

Deus não quer derramamento de sangue inocente - esse, sim, o cerne do ensinamento do "não matarás". O derramamento de sangue ímpio, infelizmente, muitas vezes se faz necessário como um mal menor: a aprovação da pena de morte em casos extremos, como no supra mencionado artigo do Catecismo (vivendo em uma situação de guerra urbana terrorista - ainda temos alguma dúvida ou vamos continuar a tapar o sol com a peneira?), e de cruzadas (guerras com mortes inevitáveis - veja o livro dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, que as recomenda!)pela Igreja são algo a impressionar os pobres católicos modernistas e liberais, tão afeitos a transigir com o mal num pacifismo covarde e tolo, algo nunca defendido por Cristo. Dê a própria cara a tapa se quiser ou se for necessário, mas não exponha caras inocentes a bofetadas!

Reafirmo que a morte, via condenação pela falha justiça humana ou pela legítima defesa ao tentar capturar o bandido, para aprisioná-lo e levá-lo a julgamento, ou dissuadi-lo pela força necessária das armas, é um recurso mais do que justo segundo a Doutrina Católica, mencionada no texto.

O Filho do Homem oferece a salvação até aos bandidos. Mas o sangue inocente derramado clama aos céus por justiça e por penitência. Deus é misericórdia mas não abre mão de ser julgador: "Creio em Deus (...)há de vir a julgar os vivos e os mortos." Negar essa verdade do credo, afirmando a misericórdia de Deus e negando sua faceta julgadora, é acreditar em HERESIAS! Professar tal erro é ser um HEREGE!

Além do mais, naquele momento não era ainda a hora da justiça (quando Pedro e Tiago pediram para descer fogo do céu), mas da graça e da misericórdia. Jesus já vaticinava que certas cidades seriam mergulhadas no inferno por não crerem nele e nem em seus milagres para se converterem. Décadas depois de Sua Paixão e morte na cruz, o tempo da justiça contra a impenitência, profetizado por Cristo, cumpriu-se: Jerusalém foi destruída (e, com ela, outros locais, como a fortaleza de Massada) e os judeus se espalharam em fuga de sua terra, arrasada pelos romanos. Deus sempre castigou a infidelidade de Seu povo no Antigo Testamento. Também recebemos a nossa paga por nossa impenitência pessoal ou coletiva e nossa falta de fé e de caridade. Creio que o tempo da graça e da misericórdia está esgotando-se para os bandidos (apesar de poderem se render a qualquer hora); agora, é o tempo da justiça para receberem segundo suas obras aqui mesmo na terra antes que sejam implacavelmente julgados e condenados sem direito a recurso na eternidade.

Não confundamos a justiça maçônica liberal (que aprendemos nas faculdades de direito e que sente horrores em aplicar uma punição rigorosa, promovendo a licenciosidade criminosa, necessária para a revolução totalitária comunista e anticristã), com a misericórdia de Deus, que é contrabalançada por sua justiça.

Graças ao excesso de liberalidades, chegamos ao nível intolerável e oprimente de bandidagem que sufoca a todos nas vidas pública e privada nacional, e que dá um péssimo exemplo a ser seguido pelos jovens e gerações vindouras.

Dar-lhe um basta é dever de todos que se comprometem com valores verdadeiros de decência, respeito, paz e caridade.

Por que deixaram os bandidos fugirem?



Frutos do comunismo ("pobrezinhos, são vítimas do sistema, estão lutando pela igualdade e contra a exclusão, etc.")e da "igualdade, liberdade e fraternidade" maçônica, revolução cultural que está demolindo as mentes e as instituições desde o fim dos governos militares:

Bandido fugindo = cerco mal feito, perda de tempo, falta de planejamento, falta de interesse do poder público em resolver o problema, mas de mantê-lo suportável para chantagear o eleitor com promessas de melhor segurança pública e políticas públicas demagógicas para extorquir o contribuinte e sustentar a vagabundagem pública (políticos) e privada (bando de acomodados ou vagabundos abrindo mão da responsabilidade pessoal e querendo tudo de mãos beijadas dos governos).

Bandido com arma de guerra = terrorista, guerrilheiro (precisa ser tratado como ameaça à segurança nacional, isto é, ser fuzilado, explodido por mísseis, incendiado por napalm e esmagado por tanques). A doutrina da Igreja nunca afastou o recurso à pena de morte como medida drástica contra esses monstros: CIC, "2267. A doutrina tradicional da Igreja, desde que não haja a mínima dúvida acerca da identidade e da responsabilidade do culpado, não exclui o recurso à pena de morte, se for esta a única solução possível para defender eficazmente vidas humanas de um injusto agressor." Já que tratá-los como hóspedes de hotéis cinco estrelas não funciona...

Bandido atirando em policial = guerra. Não decretam estado de sítio ou de emergência por covardia ou por politicagem.

Direitos humanos = privilégio para bandido. Direitos humanos são para gente com comportamento humano, não de animal selvagem nem de demônio. Bandido não tem direito nem à própria vida. O cidadão de bem e o policial/soldado é que têm direito humano (à vida, à segurança, à livre locomoção, à propriedade, ao sossego, etc.).

Polícia pedindo auxílio às Forças Armadas = polícia sem equipamento, segurança pública que não é levada à sério, falta de proteção às vidas inocentes.

Repressão muito moderada (medo de usar armas pesadas) = demagogia política vendendo libertinagem e permissividade como liberdade, isto é, ensinando à população que reprimir bandidagem (e atividade policial) seja um mal (o que não é, claro - faça besteira na empresa em que você trabalha e você verá as consequências, a menos que sua empresa seja uma zorra).

"Glamourização" da vida bandida com a promoção do "funk", "rap", "axé" e outras formas "musicais" cheias de apologia à violência, ao uso de drogas e à pornografia = meio usado para ensinar à juventude de que ela pode fazer todas as idiotices que lhes vêm às cabeças vazias de idéias e ideais, o que estão pondo em prática com crimes, violência, imoralidades, desrespeito e promiscuidade sexual.

Bandido = pai ausente. Todo desajustado anti-social, criminoso ou indisciplinado não teve a presença de um pai firme que lhe desse bom exemplo de vida.

Eis o sangue a ser derramado no Brasil pelo comunismo e por sua impenitência, segundo aparição de N. Sra. em Pernambuco, no século XX. Crime: a melhor prevenção é a educação com oração!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.


Das Homilias sobre os Evangelhos, de São Gregório Magno, papa.

(Hom. 25,7-9:PL76,1201-1202)
(Séc.VI)

Meu Senhor e meu Deus !

Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio (Jo 20,24). Era o único discípulo que estava ausente. Ao voltar, ouviu o que acontecera, mas negou-se a acreditar. Veio de novo o Senhor, e mostrou seu lado ao discípulo incrédulo para que o pudesse apalpar; mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz de suas chagas, curou a chaga daquela falta de fé. Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Pensais ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que, ao voltar, ouvisse contar, que, ao ouvir, duvidasse, que, ao duvidar, apalpasse, e que, ao apalpar, acreditasse?

Nada disso aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A clemência do alto agiu de modo admirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé. A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar, o nosso espírito, pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou tornou-se testemunha da verdade da ressurreição.

Tomé apalpou e exclamou: Meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: Acreditaste, porque me viste? (Jo 20,28-29). Ora, como diz o apóstolo Paulo: A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem (Hb 11,1). Logo, está claro que a fé é a prova daquelas realidades que não podem ser vistas. De fato, as coisas que podemos ver não são objeto de fé, e sim de conhecimento direto. Então, se Tomé viu e apalpou, por qual razão o Senhor lhe disse: Acreditaste, porque me viste? É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e proclamou a fé na sua divindade, exclamando: Meu Senhor e meu Deus! Por conseguinte, tendo visto, acreditou. Vendo um verdadeiro homem, proclamou que ele era Deus, a quem não podia ver.

Alegra-nos imensamente o que vem a seguir: Bem-aventurados os que creram sem ter visto (Jo 20,29). Não resta dúvida de que esta frase se refere especialmente a nós. Pois não vimos o Senhor em sua humanidade, mas o possuímos em nosso espírito. É a nós que ela se refere, desde que as obras acompanhem nossa fé. Com efeito, quem crê verdadeiramente, realiza por suas ações a fé que professa. Mas, pelo contrário, a respeito daqueles que têm fé apenas de boca, eis o que diz São Paulo: Fazem profissão de conhecer a Deus, mas negam-no com a sua prática (Tt 1,16). É o que leva também São Tiago a afirmar:A fé, sem obras, é morta (Tg 2,26).

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.


Da Regra de São Bento, abade

(Prologus, 4-22;cap.72,1-12:CSEL75,2-5.162-163)
(Séc.VI)

Nada absolutamente prefiram a Cristo


Antes de tudo, quando quiseres realizar algo de bom, pede a Deus com oração muito insistente que seja plenamente realizado por ele. Pois já tendo se dignado contar-nos entre o número de seus filhos, que ele nunca venha a entristecer-se por causa de nossas más ações. Assim, devemos em todo tempo pôr a seu serviço os bens que nos concedeu, para não acontecer que, como pai irado, venha a deserdar seus filhos; ou também, qual Senhor temível, irritado com os nossos pecados nos entregue ao castigo eterno, como péssimos servos que o não quiseram seguir para a glória.

Levantemo-nos, enfim, pois a Escritura nos desperta dizendo: Já é hora de levantarmos do sono (cf. Rm 13,11). Com os olhos abertos para a luz deífica e os ouvidos atentos, ouçamos a exortação que a voz divina nos dirige todos os dias: Oxalá, ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis os corações (Sl 94,8); e ainda: Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas (Ap 2,7). E o que diz ele? Meus filhos, vinde agora e escutai-me: vou ensinar-vos o temor do Senhor (Sl 33,12). Correi, enquanto tendes a luz da vida, para que as trevas não vos alcancem (cf. Jo 12,35).

Procurando o Senhor o seu operário na multidão do povo ao qual dirige estas palavras, diz ainda: Qual o homem que não ama sua vida, procurando ser feliz todos os dias? (Sl 33,13). E se tu, ao ouvires este convite, responderes: Eu, dir-te-á Deus: Se queres possuir a verdadeira e perpétua vida, afasta a tua língua da maldade, e teus lábios, de palavras mentirosas. Evita o mal e faze o bem, procura a paz e vai com ela em seu caminho (Sl 33,14-15). E quando fizeres isto, então meus olhos estarão sobre ti e meus ouvidos atentos às tuas preces; e antes mesmo que me invoques, eu te direi: Eis-me aqui (Is 58,9). Que há de mais doce para nós, caríssimos irmãos, do que esta voz do Senhor que nos convida? Vede como o Senhor, na sua bondade, nos mostra o caminho da vida!

Cingidos, pois, os nossos rins com a fé e a prática das boas ações, guiados pelo evangelho, trilhemos os seus caminhos, a fim de merecermos ver aquele que nos chama a seu reino (cf. 1Ts 2,12). Se queremos habitar na tenda real do acampamento desse reino, é preciso correr pelo caminho das boas ações; de outra forma, nunca chegaremos lá.

Assim como há um zelo mau de amargura, que afasta de Deus e conduz ao inferno, assim também há um zelo bom, que separa dos vícios e conduz a Deus. É este zelo que os monges devem pôr em prática com amor ferventíssimo, isto é, antecipem-se uns aos outros em atenções recíprocas (cf. Rm 12,10). Tolerem pacientissimamente as suas fraquezas, físicas ou morais; rivalizem em prestar mútua obediência; ninguém procure o que julga útil para si, mas sobretudo o que o é para o outro; ponham em ação castamente a caridade fraterna; temam a Deus com amor; amem o seu abade com sincera e humilde caridade; nada absolutamente prefiram a Cristo; e que ele nos conduza todos juntos para a vida eterna.

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.


Do Opúsculo Itinerário da mente para Deus, de São Boaventura, bispo
(Cap.7,1.2.4.6:Operaomnia,5,312-313)
(Séc.XII)

A sabedoria mística revelada pelo Espírito Santo

Cristo é o caminho e a porta. Cristo é a escada e o veículo, o propiciatório colocado sobre a arca de Deus (cf. Ex 26,34) e o mistério desde sempre escondido (Ef 3,9). Quem olha para este propiciatório, como rosto totalmente voltado para ele, contemplando-o suspenso na cruz, com fé, esperança e caridade, com devoção, admiração e alegria, com veneração, louvor e júbilo, realiza com ele a páscoa, isto é, a passagem. E assim, por meio do lenho da cruz, atravessa o mar Vermelho, saindo do Egito e entrando no deserto, onde saboreia o maná escondido. Descansa também no túmulo com Cristo, parecendo exteriormente morto, mas experimentando, tanto quanto é possível à sua condição de peregrino, aquilo que foi dito pelo próprio Cristo ao ladrão que o reconhecera: Ainda hoje estarás comigo no Paraíso (Lc 23,43).

Nesta passagem, se for perfeita, é preciso deixar todas as operações intelectuais, e que o ápice de todo o afeto seja transferido e transformado em Deus. Estamos diante de uma realidade mística e profundíssima: ninguém a conhece, a não ser quem a recebe; ninguém a recebe, se não a deseja; nem a deseja, se não for inflamado, até à medula, pelo fogo do Espírito Santo, que Cristo enviou ao mundo. Por isso, o Apóstolo diz que essa sabedoria mística é revelada pelo Espírito Santo (cf. 1Cor 2,13).

Se, portanto, queres saber como isso acontece, interroga a graça, e não a ciência; o desejo, e não a inteligência; o gemido da oração, e não o estudo dos livros; o esposo, e não o professor; Deus, e não o homem; a escuridão, e não a claridade. Não interrogues a luz, mas o fogo que tudo inflama e transfere para Deus, com unções suavíssimas e afetos ardentíssimos. Esse fogo é Deus; a sua fornalha está em Jerusalém. Cristo acendeu-a no calor da sua ardentíssima paixão. Verdadeiramente, só pode suportá-la quem diz: Minha alma prefere ser sufocada, e os meus ossos a morte (cf. Jó 7,15). Quem ama esta morte pode ver a Deus porque, sem dúvida alguma, é verdade: O homem não pode ver-me e viver (Ex 33,20). Morramos, pois, e entremos na escuridão; imponhamos silêncio às preocupações, paixões e fantasias. Com Cristo crucificado, passemos deste mundo para o Pai (cf. Jo 13,1), a fim de podermos dizer com o apóstolo Filipe, quando o Pai se manifestar a nós: Isso nos basta (Jo 14,8); ouvirmos com São Paulo: Basta-te a minha graça (2Cor 12,9); e exultar com Davi, exclamando: Mesmo que o corpo e o coração vão se gastando, Deus é minha parte e minha herança para sempre! (Sl 72,26). Bendito seja Deus para sempre! E que todo o povo diga: Amém! Amém! (cf. Sl 105,48).

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.


Dos Sermões, de São Leão Magno, papa

(Sermo 1 In Nativitate Domini, 2.3:PL54,191-192) (Séc. V)


Maria concebeu primeiro em seu espírito, e depois em seu corpo

Uma virgem da descendência real de Davi foi escolhida para a sagrada maternidade; iria conceber um filho, Deus e homem, primeiro em seu espírito, e depois em seu corpo. E para evitar que, desconhecendo o desígnio de Deus, ela se perturbasse perante efeitos tão inesperados, ficou sabendo, no colóquio com o anjo, que era obra do Espírito Santo o que nela se realizaria. Maria, pois, acreditou que, estando para ser em breve Mãe de Deus, sua pureza não sofreria dano algum. Como duvidaria desta concepção tão original, aquela a quem é prometida a eficácia do poder do Altíssimo? A sua fé e confiança são ainda confirmadas pelo testemunho de um milagre anterior: a inesperada fecundidade de Isabel. De fato, quem tornou uma estéril capaz de conceber, pode também fazer com que uma virgem conceba.

Portanto, a Palavra de Deus, que é Deus, o Filho de Deus, que no princípio estava com Deus, por quem tudo foi feito e sem ela nada se fez (cf. Jo 1,2-3), a fim de libertar o homem da morte eterna, se fez homem. Desceu para assumir a nossa humildade, sem diminuir a sua majestade. Permanecendo o que era e assumindo o que não era, uniu a verdadeira condição de escravo à condição segundo a qual ele é igual a Deus; realizou assim entre as duas naturezas uma aliança tão admirável que, nem a inferior foi absorvida por esta glorificação, nem a superior foi diminuída por esta elevação.

Desta forma, conservando-se a perfeita propriedade das duas naturezas que subsistem em uma só pessoa, a humildade é assumida pela majestade, a fraqueza pela força, a mortalidade pela eternidade. Para pagar a dívida contraída pela nossa condição pecadora, a natureza invulnerável uniu-se à natureza passível; e a realidade de verdadeiro Deus e verdadeiro homem associa-se na única pessoa do Senhor. Por conseguinte, aquele que é um só mediador entre Deus e os homens (1Tm 2,5), como exigia a nossa salvação, morreu segundo a natureza humana e ressuscitou segundo a natureza divina. Com razão, pois, o nascimento do Salvador conservou intacta a integridade virginal de sua mãe; ela salvaguardou a pureza, dando à luz a Verdade.

Tal era, caríssimos filhos, o nascimento que convinha a Cristo, poder e sabedoria de Deus. Por este nascimento, ele é semelhante a nós pela sua humanidade, e superior a nós pela sua divindade. De fato, se não fosse verdadeiro Deus, não nos traria o remédio; se não fosse verdadeiro homem, não nos serviria de exemplo.

Por isso, quando o Senhor nasceu, os anjos cantaram cheios de alegria: Glória a Deus no mais alto dos céus, e anunciaram paz na terra aos homens por ele amados (Lc 2,14). Eles vêem, efetivamente, a Jerusalém celeste ser construída pelos povos do mundo inteiro. Por tão inefável prodígio da bondade divina, qual não deve ser a alegria da nossa humilde condição humana, se até os sublimes coros dos anjos se rejubilam?

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.


Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo

(Hom. De gloria in tribulationibus, 2.4:

PG 51, 158-159.162-164)

(Séc.IV)


Os sofrimentos e a glória dos mártires

Consideremos a sabedoria de Paulo. Que diz ele? Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós (Rm 8,18). Por que, exclama, me falais das feridas, dos tormentos, dos altares, dos algozes, dos suplícios, da fome, do exílio, das privações, dos grilhões e das algemas? Ainda que invoqueis todas as coisas que atormentam os homens, nada podeis mencionar que esteja à altura daqueles prêmios, daquelas coroas, daquelas recompensas. Pois as provações cessam com a vida presente, ao passo que a recompensa é imortal, permanecendo para sempre.

Também isto insinuava o Apóstolo em outro lugar, quando dizia: O que no presente é insignificante e momentânea tribulação (cf. 2Cor 4,17). Ele diminuía a quantidade pela qualidade, e alivia a dureza pelo breve espaço de tempo. Como as tribulações que então sofriam eram penosas e duras por natureza, Paulo se serve de sua brevidade para diminuir-lhe a dureza, dizendo: O que no presente é insignificante e momentânea tribulação, acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável. E isso acontece, porque voltamos os nossos olhares para as coisas invisíveis e não para as coisas visíveis. Pois o que é visível é passageiro, mas o que é invisível é eterno (cf. 2Cor 4,17-18).

Vede como é grande a glória que acompanha a tribulação! Vós mesmos sois testemunhas do que dizemos. Antes mesmo que os mártires tenham recebido as recompensas, os prêmios, as coroas, enquanto ainda se vão transformando em pó e cinza, já acorremos com entusiasmo para honrá-los, convocando uma assembléia espiritual, proclamando o seu triunfo, exaltando o sangue que derramaram, os tormentos, os golpes, as aflições e as angústias que sofreram. Assim, as próprias tribulações são para eles uma fonte de glória, mesmo antes da recompensa final.

Tendo refletido sobre estas coisas, irmãos caríssimos, suportemos generosamente todas as adversidades que sobrevierem. Se Deus as permite, é porque são úteis para nós. Não percamos a esperança nem a coragem, prostrados pelo peso dos sofrimentos, mas resistamos com fortaleza e demos graças a Deus pelos benefícios que nos concedeu.

Deste modo, depois de gozarmos dos seus dons na vida presente, alcançaremos os bens da vida futura, pela graça, misericórdia e bondade de nosso Senhor Jesus Cristo. A ele pertencem a glória e o poder, com o Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos.

Amém.

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.


Dos Comentário sobre os Salmos, de Santo Agostinho, bispo

(Ps 32, sermo 1,7-8: CCL 38,253-254)

(Séc.V)

Cantai a Deus com arte e com júbilo

Louvai o Senhor com a cítara, na harpa de dez cordas Salmodiai! Cantai-lhe um cântico novo! (Sl 32,2.3). Despojai-vos da velhice; conhecestes um cântico novo! Novo homem, nova aliança, novo cântico. O cântico novo não pertence aos homens velhos. Somente o aprendem os homens novos, renovados da velhice pela graça e já pertencentes à nova aliança, que é o reino dos céus. Por ele anseia todo o nosso amor e canta um cântico novo. Cante o cântico novo não a língua mas a vida.

Cantai-lhe um cântico novo, cantai bem para ele! Alguém pergunta como cantar para Deus.

Canta para ele, mas não cantes mal. Ele não quer que seus ouvidos sejam molestados. Cantai bem, irmãos. Diante de um musicista de bom ouvido, dizem-te para cantar de modo que lhe agrade. Ora se não foste instruído na arte musical,temes cantar para não desagradar ao artista.

Não sabendo que és ignorante, ele te repreenderá. Quem se oferecerá para cantar bem a Deus, a ele que de tal modo julga o cantor, de tal modo examina tudo, de tal modo sabe escutar? Quando poderás apresentar um canto com tanta arte que absolutamente em nada desagrades aos ouvidos perfeitos?

Eis que ele te dá um modo de cantar: não procures palavras, como se pudesses explicar aquilo com que Deus se deleita. Canta na jubilação. É isto cantar bem para Deus, cantar na jubilação. O que é cantar no júbilo? Escuta, não se pode expressar por palavras aquilo que se canta no coração. De fato, aqueles que cantam seja na ceifa, seja na vinha, seja em qualquer outro trabalho cheio de ardor, começam com palavras de cantigas a exultar com alegria; depois, a alegria é tanta que já não podem dizê-la, então abandonam as sílabas das palavras e deixam-se levar pelo som do júbilo.

Júbilo é um som a significar que do coração brota algo impossível de se expressar. E quem merece esta jubilação, a não ser o Deus inefável? É inefável o que não podes falar. E se não o podes falar e não deves calar-te, o que te resta senão jubilar? Alegre-se o coração sem palavras, e a imensidão das alegrias não conheça o limite das sílabas. Cantai para ele com arte e com júbilo (cf. Sl 32,3).

domingo, 21 de novembro de 2010

Liturgia das Horas (leituras).


Das Homilias sobre os evangelhos, de São Gregório Magno, papa


(Hom.25,1-2.4-5:PL 76,1189-1193)(Séc.VI)

Sentia o desejo ardente de encontrar a Cristo, que julgava ter sido roubado Maria Madalena, tendo ido ao sepulcro, não encontrou o corpo do Senhor. Julgando que fora roubado, foi avisar aos discípulos. Estes vieram também ao sepulcro, viram e acreditaram no que a mulher lhes dissera. Sobre eles está escrito logo em seguida: Os discípulos voltaram então para casa (Jo 20,10). E depois acrescenta-se: Entretanto, Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando (Jo 20,11).

Este fato leva-nos a considerar quão forte era o amor que inflamava o espírito dessa mulher, que não se afastava do túmulo do Senhor, mesmo depois de os discípulos terem ido embora. Procurava a quem não encontrara, chorava enquanto buscava e, abrasada no fogo do seu amor, sentia a ardente saudade daquele que julgava ter sido roubado. Por isso, só ela o viu então, porque só ela o ficou procurando. Na verdade, a eficácia das boas obras está na perseverança, como afirma também a voz da Verdade: Quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10,22).

Ela começou a procurar e não encontrou nada; continuou a procurar, e conseguiu encontrar. Os desejos foram aumentando com a espera, e fizeram com que chegasse a encontrar. Pois os desejos santos crescem com a demora; mas se diminuem com o adiamento, não são desejos autênticos. Quem experimentou este amor ardente, pôde alcançar a verdade. Por isso afirmou Davi: Minha alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus? (Sl 41,3). Também a Igreja diz no Cântico dos Cânticos: Estou ferida de amor (Ct 5,8). E ainda: Minha alma desfalece (cf.Ct 5,6).

Mulher, por que choras? A quem procuras? (Jo 20,15). É interrogada sobre o motivo de sua dor, para que aumente o seu desejo e, mencionando o nome de quem procurava, se inflame ainda mais o seu amor por ele.

Então Jesus disse: Maria (Jo 20,16). Depois de tê-la tratado pelo nome comum de mulher sem que ela o tenha reconhecido, chama-a pelo próprio nome. Foi como se lhe dissesse abertamente: Reconhece aquele por quem és reconhecida. Não é entre outros, de maneira geral, que te conheço, mas especialmente a ti. Maria, chamada pelo próprio nome, reconhece quem lhe falou; e imediatamente exclama: Rabuni, que quer dizer Mestre (Jo 20,16). Era ele a quem Maria Madalena procurava exteriormente; entretanto, era ele que a impelia interiormente a procurá-lo.

Liturgia das Horas (leituras).


Das Homilias sobre Mateus, de São João Crisóstomo, bispo

(Hom. 65,2-4:PG58,619-622)(Séc.IV)
Participantes da paixão de Cristo

Os filhos de Zebedeu pedem a Cristo: Deixa-nos sentar um à tua direita e outro, à tua esquerda (Mc 10,37). Que resposta lhes dá o Senhor? Para mostrar que no seu pedido nada havia de espiritual, e se soubessem o que pediam não teriam ousado fazê-lo, diz: Não sabeis o que estais pedindo (Mt 20,22), isto é, não sabeis como é grande, admirável e superior aos próprios poderes celestes aquilo que pedis. Depois acrescenta: Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? (Mt 20,22). É como se lhes dissesse: “Vós me falais de honras e de coroas; eu, porém, de combates e de suores. Não é este o tempo das recompensas, nem é agora que minha glória há de se manifestar. Mas a vida presente é de morte violenta, de guerra e de perigos”.

Reparai como o Senhor os atrai e exorta, pelo modo de interrogar. Não perguntou: “Podeis suportar os suplícios? podeis derramar vosso sangue? Mas indagou: Por acaso podeis beber o cálice? E para os estimular, ainda acrescentou: que eu vou beber? Assim falava para que, em união com ele, se tornassem mais decididos. Chama sua paixão de batismo, para dar a entender que os sofrimentos haviam de trazer uma grande purificação para o mundo inteiro. Então os dois discípulos lhe disseram: Podemos (Mt 20,22). Prometem imediatamente, cheios de fervor, sem perceber o alcance do que dizem, mas com a esperança de obter o que pediam.

Que afirma o Senhor? De fato, vós bebereis do meu cálice (Mt 20,23), e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado (Mc 10,39). Grandes são os bens que lhes anuncia, a saber: “Sereis dignos de receber o martírio e sofrereis comigo; terminareis a vida com morte violenta e assim participareis da minha paixão”. Mas não
depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou (Mt 20,23). Somente
depois de lhes ter levantado os ânimos e de tê-los tornado capazes de superar a tristeza é que corrigiu o pedido que fizeram.

Então os outros dez discípulos ficaram irritados contra os dois irmãos (Mt 20,24). Vedes como todos eles eram imperfeitos, tanto os que tentavam ficar acima dos outros, como os dez que tinham inveja dos dois? Mas, como já tive ocasião de dizer, observai-os mais tarde e vereis como estão livres de todos esses sentimentos. Prestai atenção
como o mesmo apóstolo João, que se adianta agora por este motivo, cederá sempre o primeiro lugar a Pedro, quer para usar da palavra,quer para fazer milagres, conforme se lê nos Atos dos Apóstolos. Tiago, porém, não viveu muito mais tempo. Desde o princípio, pondo de parte toda aspiração humana, elevou-se a tão grande santidade que bem depressa recebeu a coroa do martírio.

Liturgia das Horas (leituras).


Dos Sermões de São João Damasceno, bispo

(Orat. 6, in Nativitatem B. Mariae V., 2.4.5.6:PG 96, 663.667.670)(Séc.VIII)

Vós os conhecereis pelos seus frutos

Estava determinado que a Virgem Mãe de Deus iria nascer de Ana. Por isso, a natureza não ousou antecipar o germe da graça, mas permaneceu sem dar o próprio fruto até que a graça produzisse o seu. De fato, convinha que fosse primogênita aquela de quem nasceria o primogênito de toda a criação, no qual todas as coisas têm a sua consistência(cf. Cl 1,17).

Ó casal feliz, Joaquim e Ana! A vós toda a criação se sente devedora. Pois foi por vosso intermédio que a criatura ofereceu ao Criador o mais valioso de todos os dons, isto é, a mãe pura, a única que era digna do Criador.

Alegra-te, Ana estéril, que nunca foste mãe, exulta e regozija-te, tu que nunca deste à luz (Is 54,1). Rejubila-te, Joaquim, porque de tua filha nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; o nome que lhe foi dado é: Anjo do grande conselho, salvação do mundo inteiro, Deus forte (Cf. Is 9,5). Este menino é Deus.

Ó casal feliz, Joaquim e Ana, sem qualquer mancha! Sereis conhecidos pelo fruto de vossas entranhas, como disse o Senhor certa vez: Vós os conhecereis pelos seus frutos(Mt 7,16). Estabelecestes o vosso modo de viver da maneira mais agradável a Deus e digno daquela que de vós nasceu. Na vossa casta e santa convivência educastes a pérola da virgindade, aquela que havia de ser virgem antes do parto, virgem no parto e continuaria virgem depois do parto; aquela que, de maneira única, conservaria sempre a virgindade, tanto em seu corpo como em seu coração.

Ó castíssimo casal, Joaquim e Ana! Conservando a castidade prescrita pela lei natural, alcançastes de Deus aquilo que supera a natureza: gerastes para o mundo a mãe de Deus, que foi mãe sem a participação de homem algum. Levando, ao longo de vossa existência, uma vida santa e piedosa, gerastes uma filha que é superior aos anjos e agora é rainha dos anjos.

Ó formosíssima e dulcíssima jovem! Ó filha de Adão e Mãe de Deus! Felizes o pai e a mãe que te geraram! Felizes os braços que te carregaram e os lábios que te beijaram castamente, ou seja, unicamente os lábios de teus pais, para que sempre e em tudo conservasses a perfeita virgindade! Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos, exultai e cantai salmos (cf. Sl 97,4-5). Levantai vossa voz; clamai e não tenhais medo.

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.


Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo



(Sermo 103, 1-2. 6: PL 38, 613.615)

(Séc.V)

Felizes os que mereceram receber a Cristo em sua casa

As palavras de nosso Senhor Jesus Cristo nos advertem que, em meio à multiplicidade das ocupações deste mundo, devemos aspirar a um único fim. Aspiramos porque estamos a caminho e não em morada permanente; ainda em viagem e não na pátria definitiva; ainda no tempo do desejo e não na posse plena. Mas devemos aspirar, sem preguiça e sem desânimo, a fim de podermos um dia chegar ao fim.

Marta e Maria eram irmãs, não apenas irmãs de sangue, mas também pelos sentimentos religiosos. Ambas estavam unidas ao Senhor; ambas, em perfeita harmonia, serviam ao Senhor corporalmente presente. Marta o recebeu como costumam ser recebidos os peregrinos. No entanto, era a serva que recebia o seu Senhor; uma doente que acolhia o Salvador; uma criatura que hospedava o Criador. Recebeu o Senhor para lhe dar o alimento corporal, ela que precisava do alimento espiritual. O Senhor quis tomar a forma de servo e, nesta condição, ser alimentado pelos servos, por condescendência, não por necessidade. Também foi por condescendência que se apresentou para ser alimentado. Pois tinha assumido um corpo que lhe fazia sentir fome e sede.

Portanto, o Senhor foi recebido como hóspede, ele que veio para o que era seu, e os seus não o acolheram. Mas, a todos que o receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,11-12). Adotou os servos e os fez irmãos; remiu os cativos e os fez co-herdeiros. Que ninguém dentre vós ouse dizer: Felizes os que mereceram receber a Cristo em sua casa! Não te entristeças, não te lamentes por teres nascido num tempo em que já não podes ver o Senhor corporalmente. Ele não te privou desta honra, pois afirmou: Todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes (Mt 25,40).

Aliás, Marta, permite-me dizer-te: Bendita sejas pelo teu bom serviço! Buscas o
descanso como recompensa pelo teu trabalho. Agora estás ocupada com muitosserviços, queres alimentar os corpos que são mortais, embora sejam de pessoas santas.

Mas, quando chegares à outra pátria, acaso encontrarás peregrinos para hospedar? encontrarás um faminto para repartires com ele o pão? um sedento para dares de beber? um doente para visitar? um desunido para reconciliar? um morto para sepultar?

Lá não haverá nada disso. Então o que haverá? O que Maria escolheu: lá seremos alimentados, não alimentaremos. Lá se cumprirá com perfeição e em plenitude o que Maria escolheu aqui: daquela mesa farta, ela recolhia as migalhas da palavra do Senhor.

Queres realmente saber o que há de acontecer lá? É o próprio Senhor quem diz a respeito de seus servos: Em verdade eu vos digo: ele mesmo vai fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá (Lc 12,37).

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.


Da Narrativa autobiográfica de Santo Inácio,
recolhida de viva voz pelo Padre Luís Gonçalves da Câmara

(Cap.1,5-9:Acta Sanctorum Iulii,7 [1868],647)

(Séc.XVI)

Provai os espíritos a ver se são de Deus

Inácio gostava muito de ler livros mundanos e romances que narravam supostos feitos heróicos de homens ilustres. Assim que se sentiu melhor, pediu que lhe dessem alguns deles, para passar o tempo. Mas não se tendo encontrado naquela casa nenhum livro deste gênero, deram-lhe um que tinha por título A vida de Cristo e outro chamado Florilégio dos Santos, ambos escritos na língua pátria.

Com a leitura freqüente desses livros, nasceu-lhe um certo gosto pelos fatos que eles narravam. Mas, quando deixava de lado essas leituras, entregava seu espírito a lembranças do que lera outrora; por vezes ficava absorto nas coisas do mundo, em que antes costumava pensar.

Em meio a tudo isto, estava a divina providência que, através dessas novas leituras, ia dissipando os outros pensamentos. Assim, ao ler a vida de Cristo nosso Senhor e dos santos, punha-se a pensar e a dizer consigo próprio: “E se eu fizesse o mesmo que fez São Francisco e o que fez São Domingos?” E refletia longamente em coisas como estas. Mas sobrevinham-lhe depois outros pensamentos vazios e mundanos, como acima se falou, que também se prolongavam por muito tempo. Permaneceu nesta alternância de pensamentos durante um tempo bastante longo.

Contudo, nestas considerações, havia uma diferença: quando se entretinha nos pensamentos mundanos, sentia imenso prazer; mas, ao deixá-los por cansaço, ficava triste e árido de espírito. Ao contrário, quando pensava em seguir os rigores praticados pelos santos, não apenas se enchia de satisfação, enquanto os revolvia no pensamento, mas também ficava alegre depois de os deixar.

No entanto, ele não percebia nem avaliava esta diferença, até o dia em que se lhe abriram os olhos da alma, e começou a admirar-se desta referida diferença. Compreendeu por experiência própria que um gênero de pensamentos lhe trazia tristeza, e o outro, alegria. Foi esta a primeira conclusão que tirou das coisas divinas. Mais tarde, quando fez os Exercícios Espirituais, começou tomando por base esta experiência, para compreender o que ensinou sobre o discernimento dos espíritos.

sábado, 20 de novembro de 2010

Lutero e seus erros.


O erro de Lutero

Sustentam alguns contemporâneos, mesmo dentre os protestantes, que o único erro de Martinho Lutero teria sido conduzir a Reforma fora da Igreja. São esses os que dizem que, se as ações do monge agostiniano que iniciou a maior revolução eclesiástica jamais vista fossem feitas dentro da Igreja, haveria uma justa reforma e hoje a Cristandade Ocidental continuaria unida.

Discordamos de tal tese. Reconhecendo que certa disciplina eclesial realmente devesse passar por uma série de correções - o que foi feito de modo muito eficaz pelo Concílio de Trento -, não podemos admitir que se queira atribuir a Lutero somente o título de cismático. Mais do que combater abusos dos filhos e membros da Igreja - e não da própria, pois é santa e indefectível -, o reformador afastou-se da doutrina ensinada por Cristo, da Revelação, constituindo-se herege. Era, pois, impossível a Lutero manter-se dentro da Igreja com suas próprias idéias contrárias à ortodoxia. Ao lutar contra algumas práticas acerca das indulgências, negou a validade destas últimas. Pretendendo combater certas tendências quase-pelagianas de alguns monges - as quais nunca foram aprovadas pela Igreja, diga-se de passagem! -, negou o livre-arbítrio. E em tudo, para justificar suas teorias, negou o ensino dos Papas e da Tradição, apegando-se só à Escritura - no momento em que esta própria o desmente, arranca sete livros do cânon do Antigo Testamento, tenta impugnar a Epístola de São Tiago, e, do que sobra, reinterpreta livremente, ao sabor de suas preferências, por vezes invocando os mesmos autores da Tradição que ele mesmo não aceita, evidentemente tirados de seu contexto.

O erro de Lutero não foi ter se separado da Igreja para fazer a Reforma, e sim partir de premissas heréticas para conduzi-la, o que necessariamente o colocaria fora da comunhão. Como advogar que o monge Martinho poderia guiar seu protesto dentro da Igreja se na base deste estava a rejeição do primado de São Pedro e seus sucessores, os Papas, do sacerdócio hierárquico distinto do sacerdócio comum dos fiéis, da mudança substancial na Eucaristia - da qual vive a Igreja -, da Tradição como regra de fé e prática, do Magistério de seus legítimos pastores? É inerente à Reforma Protestante estar fora e contra "a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade." (2 Tm 3,15)

Em que consistiu o movimento luterano? Na pregação de que basta a fé para a salvação; na confusão entre a certeza de estar salvo e a virtude teologal da esperança; na negação do livre-arbítrio, qualificando toda graça como obrigatoriamente eficaz; na noção de que a Missa é uma mera ceia comemorativa do sacrifício da Cruz, e que nela Cristo Se faz presente sem alteração das substâncias do pão e do vinho; no conceito de que a justificação é extrínseca, declaratória, forense, como se a graça não transformasse o pecador de fato, mas apenas juridicamente, à maneira de uma capa que o recobriria para que Deus o declarasse justo; na sustentação de que toda doutrina, para ser parte da Revelação, para ser verdadeira, deve estar necessariamente na Bíblia; na crença de que todos podem interpretar o dado revelado igual e diretamente, sem a intermediação do Magistério.

Ora, tudo isso nada mais é do que o rechaçar puro, explícito e pertinaz da Fé da Igreja. Conclui-se, pois, que é da natureza da Reforma Protestante, da essência dos planos e idéias de Lutero estar fora da Igreja santa e católica. Quis ele colocar-se nessa situação: a Igreja apenas declarou o que era óbvio. E para uma reforma sem rompimento com a Igreja deveria Lutero abdicar de sua teologia equivocada.

A Igreja sempre afirmou justamente o contrário do ensino luterano: - A fé sem as obras é morta. "De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? (...) Assim também a fé: se não tiver obras, é morta por si mesma. Mas alguém dirá: 'Tu tens fé, e eu tenho obras.' Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês que há um só Deus. Fazes bem. Também os demônios crêem e tremem. Queres ver, ó homem vão, como a fé sem obras é estéril? Abraão, nosso pai, não foi justificado pelas obras, oferecendo o seu filho Isaac sobre o altar? Vês como a fé cooperava com as suas obras e era completada por eles. (...) Vede como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé? (...) Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta." (Tg 2,14.17-22.24.26)

- É absolutamente impossível a alguém, sem especial graça atual de Deus, saber-se salvo. Portanto, a certeza da salvação, excetuado algum caso extraordinário, é, no mais das vezes, presunção, seja da própria santidade sem qualquer referência à graça santificante, seja da ação desta. Por outro lado, não devemos desesperar da salvação, se cremos em Cristo e vivemos como Ele manda. Nem certeza nem desespero, mas esperança de que, pela graça de Deus livremente correspondida por nossa vontade e inteligência seremos salvos. Para enfrentar o desespero, Lutero pecou pela sustentação do erro diametralmente oposto. São Paulo mesmo, grande animador dos cristãos, que os exortava a nunca perder a esperança da salvação, não tinha a certeza de ser salvo: "De nada me acusa a consciência; contudo, nem por isso sou justificado. Meu juiz é o Senhor. Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. (...) Então cada um receberá de Deus o louvor que merece." (1 Co 4,4-5a.6d) Se tivéssemos certeza da salvação - e para Lutero, que confunde fé com esperança e confiança, crer é saber-se salvo, ao passo em que a doutrina católica afirma que ela é a adesão do intelecto movido pela vontade e iluminado pela graça à Revelação de Deus -, estaríamos descansados. Mas a Bíblia diz: "vós que sempre fostes obedientes, trabalhai na vossa salvação com temor e tremor" (Fl 2,12).

- A graça de Deus é o princípio da salvação, é o convite a ser salvo, e sem ela ninguém pode nem sequer dar o primeiro passo em direção a Ele. Tal fato, todavia, não anula a necessária colaboração do homem à ação da graça, que se faz pelo livre-arbítrio. Se é erro o pelagianismo - doutrina que defende ser o homem capaz de salvar-se por sua própria natureza, excluindo a graça ou considerando-a mero estímulo a modo de exemplo, atribuindo valor absoluto ao livre-arbítrio -, e também o semi-pelagianismo - heresia digamos "mais moderada", a qual pretende que a graça salve, mas o primeiro movimento da salvação entende partir do livre-arbítrio -, é igualmente equivocado o luteranismo, e sua forma mais radical, o calvinismo, negadores da liberdade, os quais consideram à graça ações que a ultrapassam. A soteriologia de Lutero, aliás, é produto de outra confusão sua: como mesmo após o Batismo permanece uma tendência ao pecado - a concupiscência -, o reformador alemão pensa que o que continua a existir no homem mesmo batizado e regenerado é o próprio pecado - daí sua máxima do que o homem é simul justus et peccator, da qual nos ocuparemos mais adiante ao falar da justificação forense de Lutero.

- A Santa Missa não é uma mera comemoração do sacrifício de Cristo na Cruz, mas o próprio sacrifício, tornado real e novamente presente. Não se trata, outrossim, de novo sacrifício - e Lutero, nova confusão, para combater esse erro da pluralidade de sacrifícios, quando um só bastou (o que fez bem), pelejou contra a noção católica, inconteste desde os tempos apostólicos e claramente ensinada pelos Padres Antigos, de que a Missa é um sacrifício (o que fez mal). Cruz e Missa são um só. O ataque de Lutero não procede. Pensou ele que, quando a Igreja diz que a Missa é um sacrifício, estava ela afirmando que este era um novo, como se o da Cruz não fosse, para ela, suficiente. Para atacar um erro - que, lembramos, não havia, porque a Igreja sempre pregou que a Missa não era um novo, mas o mesmo sacrifício tornado presente -, inventou Lutero outro erro. Faltou ao heresiarca mais estudo da doutrina da Igreja. Leu, não entendeu, e atacou o que pensou ter entendido. No Rio Grande do Sul diz-se que semelhante comportamento é típico de quem "mirou no que viu e atirou no que não viu." Cremos que, no caso, Lutero mirou até no que não viu! Males que a falta de humildade traz...

- Na Missa, que além de ceia é também sacrifício, a presença de Cristo se dá pela mudança das substâncias - transubstanciação - do pão e do vinho em Seu Corpo e Sangue. "Tomai e comei, isto é meu corpo" e "bebei deles todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança[1][1], derramado por muitos homens em remissão dos pecados" (Mt 26,25.27c-28), disse Jesus. Noutro discurso explicitou: "E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo. (...) Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele." (Jo 6,51c.53-56) Desse modo, terminada a Missa, Nosso Senhor continua na hóstia consagrada.

- A justificação se dá de fato, não só de direito! Pela graça, o homem é real e progressivamente transformado. Uma vez justo, ele o é de verdade, não apenas por uma declaração jurídica de Deus. Mais do que uma capa que reveste o pecador, a graça o muda interiormente. O índice doutrina anexo à Bíblia editada pela Ave-Maria, no verbete "justificar" assim dispõe: "Afirmam os protestantes que justificar tem sempre o sentido de 'declarar justo'. Não há dúvida de que assim seja entre os autores profanos, e que o mesmo suceda na Sagrada Escritura sempre que o sujeito do verbo for um ser finito, porque apenas Deus pode conferir a justiça. Porém, quando se trata de Deus, o verbo inúmeras vezes significa tornar justos os homens (transformando-os de um estado a outro): Is 53,11; At 13,38ss; II Cor 5,21. Note-se ainda que o juízo de Deus é sempre conforme a realidade e ninguém pode ser declarado justo sem sê-lo realmente. Quando Deus justifica o ímpio, é necessário que o encontre justo ou o justifique. Do contrário, ou Deus estaria declarando justo que o não é ou estaria realmente justificando. Não se encontra um texto em que um homem justificado por Deus é ainda chamado pecador. Segundo São Paulo, a justificação é uma 'justificação de vida', isto é, confere a vida sobrenatural: Rom 5,8."

- A Revelação não foi guardada só pela Bíblia. Cristo nem ordenou aos Seus que escrevessem, mas que pregassem! A doutrina verdade é a pregada pelos Apóstolos, por eles ensinada através da Bíblia e também oralmente. Essa pregação oral é a Tradição, sempre defendida por todos os escritores cristãos dos primeiros séculos, unanimemente sustentada pelos Padres Antigos, desde o princípio do cristianismo. A Bíblia mesmo manda que creiamos na Tradição - Lutero cai, em erro de sua própria (i)lógica interna. "Intimamo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que eviteis a convivência de todo irmão que leve ociosa e contrária à tradição que de nós tendes recebido." (2 Ts 3,6) "Ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavra, seja por carta nossa." (2 Ts 2,15) "A nossa pregação não provém de erro" (1Ts 2,3). Os livros da Bíblia, aliás, só foram compostos totalmente muitos anos depois do início da pregação apostólica: onde estava a doutrina verdadeira nessa época, se não na Igreja, na Tradição oral? Por último, lembremos que só no IV século é que um sínodo de Bispos - i.e., a autoridade da Igreja, guiada pelo Papa, os quais foram negados por Lutero! - declarou quais eram os livros da Bíblia, e quais eram espúrios. Nesse tempo todo, só a Tradição oral a fonte segura da doutrina revelada - e com o advento da Sagrada Escritura, não deixou aquela de continuar sendo, sob pena de Deus desdizer-Se. Para crermos na Bíblia, portanto, temos de crer primeiramente na Tradição e no Magistério da Igreja. "Eu não creria nos Evangelhos se não me levasse a isso a autoridade da Igreja Católica." (Santo Agostinho. Contra epistulam Manichaei quam vocant fundamenti, 5,6: PL 42,176) "Sobre os dogmas e querigmas preservados pela Igreja, alguns nós possuímos ensinamento escrito e outros recebemos da tradição dos Apóstolos, transmitidos pelo mistério. Com respeito à observância, ambos são da mesma força. Ninguém que seja versado mesmo um pouco no proceder eclesiástico, deverá contradizer qualquer um deles, em nada. Na verdade, se tentarmos rejeitar os costumes não escritos como não tendo grande autoridade, estaríamos inconscientemente danificando os Evangelhos em seus pontos vitais; ou, mais ainda, estaríamos reduzindo o querigma a uma única expressão" (São Cipriano de Cartago. O Espírito Santo, 27,36). "'Cristo Senhor, em que se consuma toda a revelação do Sumo Deus, ordenou aos Apóstolos que o Evangelho, prometido antes pelos profetas, completado por ele e por sua própria boca promulgado, fosse por eles pregado a todos os homens como fonte de toda a verdade salvífica e de toda a disciplina de costumes, comunicando-lhes dons divinos.' A transmissão do Evangelho, segundo a ordem do Senhor, fez-se de duas maneiras: oralmente 'pelos apóstolos, que na pregação oral, por exemplos e instituições, transmitiram aquelas coisas que ou receberam das palavras, da convivência e das obras de Cristo ou aprenderam das sugestões do Espírito Santo'; por escrito 'como também por aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, puseram por escrito a mensagem da salvação.'" (Catecismo da Igreja Católica, 75-76) "Dá-se o nome de Tradição à doutrina revelada por Deus que não está contida na Escritura, tendo-se conservado por diversos meios. Por isso se diz que a Tradição é 'complemento' da Sagrada Escritura; assim, por ex., nem tudo o que Nosso Senhor Jesus Cristo fez ou disse foi escrito, e no entanto foi transmitido infalivelmente, graças à assistência do Espírito Santo. A Tradição chegou até nós por meio da pregação, da própria vida da Igreja, dos escritos dos Padres da Igreja, da Liturgia e de outras formas..." (ARCE, Pablo; SADA, Ricardo. op cit.; p. 48)

- Se cada um pode livremente interpretar a Bíblia, qual das interpretações conflitantes é a autêntica? Sempre que um protestante interpreta algum trecho da Sagrada Escritura afirma ser guiado pelo Espírito Santo. E é por isso quem se a interpretação do pastor conflita com a do fiel ou de outro pastor, logo surge uma nova "igreja", dizendo-se portadora da verdade - sendo que a primitiva, de onde esta se originou, também afirmava o mesmo. Mais de 40.000 verdades umas contra as outras??!! O "Espírito Santo" protestante é esquizofrênico? Para a Igreja Católica, única fundada por Cristo, a leitura da Bíblia deve conformar-se com a interpretação do Magistério. "Ninguém pode compreender a Sagrada Escritura se não tiver alguém que o preceda e lhe mostre o caminho." (São Jerônimo) O Espírito Santo que inspirou a Bíblia ilumina os Bispos e o Papa, pastores da Sua Igreja, para o correto entendimento da doutrina naquela contida: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal." (2 Pe 1,20) Sobre os textos da Bíblia, ela mesmo diz que em certos trechos das cartas de São Paulo "há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras." (2 Pe 3.16) Para evitar essas interpretações pessoais - já se disse que cada protestante é seu próprio papa, dado que afirmam, pelo livre-exame da Bíblia, ter a interpretação correta, a qual se diferencia das de outros que sustentam igualmente terem sido inspirados ou iluminados pelo Espírito Santo -, Cristo Jesus fundou uma Igreja sobre os Apóstolos, ordenando-lhes: "Ide e ensinai todos os povos" (Mt 28,20). Prometeu também a eles e seus sucessores, os Bispos em comunhão com o Papa: "Quem vos ouve[2][2] a mim ouve" (Lc 10,16); "o Espírito Santo vos[3][3] ensinará todas[4][4] as coisas" (Jo 14,26); e "ficará eternamente convosco" (v. 16). Para quem pretendia ter como regra de fé somente a Bíblia, como Lutero, parece que ele não foi fiel nem ao menos à sua própria tese teológica, à sua própria heresia!

A diferença entre os erros protestantes e a verdade católica não para por aí. Do livre-exame e da Sola Scriptura luteranos saem verdadeiros absurdos, alguns dos quais contrários ao ensino do próprio Lutero, mas defendidos pelos seus continuadores na heresia: negação do culto às imagens, rejeição do culto dos santos e da Virgem, caráter meramente simbólico da Eucaristia - Lutero defendia uma presença real (deturpada, mas real) -, crença de que o Papa é a Besta do Apocalipse etc. Isso que não estamos falando do antagonismo notório entre as visões culturais protestante (especialmente a calvinista) e católica, suas noções em filosofia e antropologia, totalmente incompatíveis com o pensamento da Igreja.

Assim, uma reforma de Lutero dentro da Igreja só seria possível se não houvesse em sua obra e pregação erros teológicos manifestos. O erro de Martinho Lutero não foi fazer a Reforma fora da Igreja, mas pretender reformar a doutrina revelada por Cristo. "De fato, não há dois (evangelhos): há apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema. Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebemos, seja ele excomungado!" (Gl 1,7-9)

http://www.cnd.org.br/art/outros/lutero.asp

Missão do católico leigo.



Suas Tarefas como Católico - Pe. José Inácio Schuster.

Todos os católicos, independentemente da idade que tenham, possuem três grandes tarefas:

1. Conhecer a Fé Católica

Não se pode viver a fé sem a conhecer. Também não é possível compartilhá-la com outras pessoas se primeiro não a conhecer (Catecismo da Igreja Católica, 429). Conhecer a fé católica pode exigir algum esforço, mas esse esforço será bem apreciado, pois seu estudo é infinitamente recompensador.

2. Viver a Fé Católica

A fé católica é pública. Isso, contudo, não significa que devemos ficar nos "exibindo" quando saímos de casa. Devemos ser prevenidos pois ser católico em público envolve risco e até mesmo perdas: algumas portas serão fechadas para nós; podemos perder alguns amigos; poderemos ser considerados pessoas incomuns... Entretanto, como consolação, temos as palavras de Jesus dirigidas àqueles que são perseguidos: "Alegrai-vos e exultai porque grande será a vossa recompensa!" (Mt 5, 12).
3. Divulgar a Fé Católica

Jesus Cristo quer que tiremos todo o mundo do cativeiro levando até ele a Verdade e a Verdade é o próprio Jesus, "caminho, verdade e vida" (Jo 14, 6). Divulgar a fé não é tarefa exclusiva dos bispos, padres e religiosos; é uma tarefa entregue a todos os católicos (Catecismo da Igreja Católica, 905). Pouco antes da sua Ascensão, Nosso Senhor disse aos seus discípulos: "Ide por todo o mundo e fazei discípulos em todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo aquilo que vos ordenei" (Mt 28, 19-20).

Se quisermos observar todos os mandamentos de Jesus, se queremos acreditar em tudo aquilo que Ele pregou, devemos segui-lo em Sua Igreja. Essa é a nossa grande mudança e nosso grande privilégio.

Doze Modos Indolores para Evangelizar

Muitos católicos se esquivam da tarefa de evangelização pública: existem aqueles cuja fé pode hesitar quando discutida com estranhos, bem como aqueles que não conhecem tão bem a sua fé como deveriam, de forma que se escondem quando alguém solicita que se engajem na Evangelização. [...]

1. Inclua folhetos com assuntos católicos em todos os envelopes de correspondência que você enviar, não importando se para conhecidos ou desconhecidos.
2. Torne-se voluntário para cuidar do estande de folhetos em sua paróquia.
3. Compre vídeos católicos e exiba-os aos missionários protestantes que batem à sua porta.
4. Deixe folhetos católicos nos bancos da sua paróquia.
5. Escreva e responda às mensagens que aparecem nos fóruns de discussão na Internet e outras redes de informação.
6. Deixe folhetos católicos nas caixas de correspondência.
7. Responda para a imprensa sempre que ela publicar artigos deturpando a fé.
8. Deixe folhetos católicos nos pára-brisas de veículos estacionados.
9. Distribua fotocópias (xerox) de artigos extraídos de periódicos católicos (peça permissão da editora antes).
10. Envie um livro ou uma fita de áudio ou vídeo sobre assuntos católicos aos seus amigos ou até mesmo a estranhos.
11. Ligue e responda aos programas de rádio ou TV que deturpam a fé católica.
12. Deixe folhetos católicos em lugares visíveis (supermercados, pontos de ônibus, etc.).

http://www.cnd.org.br/art/schuster/tarefas.asp

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.


Das Cartas de São Roque González, presbítero

(Lit. Annuae P. Rochi González pro anno 1615 [s. d.] datae ad P. Provincialem Petrum Oñate. Ed. [in lingua hispanica] in: Documentos para la Historia Argentina, vol.20, Buenos Aires 1920, pp. 24-25)

(Séc.XVII)

Espero que esta cruz seja o princípio para se levantarem muitas outras


Voltando pouco depois para lá encontrei um local onde podia ficar: uma pequena choupana perto do rio; e, passado algum tempo, ofereceram-me uma palhoça maior. Dois meses mais tarde, o Padre Reitor enviou o Padre Diogo de Boroa. Este chegou finalmente na segunda-feira de Pentecostes. Com muita consolação considerávamos como o amor de Deus nos juntava naquelas terras tão longínquas. Dividimos entre nós o limitado espaço da nossa morada, com um tabique feito de canas. Ao lado tínhamos uma capela, pouco maior que o próprio altar em que celebrávamos a Missa. Por eficácia deste supremo e divino sacrifício, em que Cristo se ofereceu ao Pai na Cruz, começou ele a triunfar ali, pois os demônios que antes costumavam aparecer a estes índios não se atreveram a aparecer mais, como testemunhou algum deles. Resolvemos continuar na mesma palhoça, embora tudo nos faltasse. O frio era tanto que nos custava adormecer. O alimento também não era melhor: milho ou farinha de mandioca, que é a comida dos índios; e porque começamos a buscar pelos bosques umas ervas de que se alimentam os papagaios, com este apelido nos chamavam.

Prosseguindo as coisas deste modo, e temendo os demônios que, se a Companhia de Jesus entrasse nestas regiões, eles perderiam em breve o que por tanto tempo tinham possuído, começaram a espalhar por todo o Paraná que nós éramos espiões e falsos sacerdotes, e que trazíamos a morte em nossos livros e imagens. Divulgou-se isto a tal ponto que, estando o Padre Boroa a explicar aos índios os mistérios da nossa fé, eles temiam aproximar-se das sagradas imagens, com receio de algum contágio mortífero. Mas estas idéias foram-se desfazendo pouco a pouco, sobretudo quando viram com os próprios olhos que os nossos eram para eles como verdadeiros pais, dando-lhes de bom grado quanto tinham em casa e assistindo-os nos seus trabalhos e enfermidades,de dia e de noite, auxiliando-os não só em proveito das suas almas, o que é certamente mais importante, mas também dos seus corpos.

E assim, quando vimos consolidar-se o amor dos índios para conosco, pensamos em construir uma igreja, que, embora pequena e modesta e coberta com palha, apareceu a esta gente miserável como um palácio real, e ficam atônitos quando levantam os olhos para o teto. Ambos tivemos de trabalhar com barro para fazer o reboco e para ensinar os indígenas a fazer tijolos. Deste modo conseguimos ter a igreja pronta para o dia de Santo Inácio do ano passado de 1615. Neste dia celebramos lá a primeira missa e renovamos os nossos votos. Houve ainda outros ritos festivos, quanto era possível segundo a pobreza do lugar. Também quisemos organizar umas danças, mas estes rapazes são tão rudes que não conseguiram aprendê-las. Levantamos depois uma torre de madeira e pusemos nela um sino que a todos encheu de admiração, pois nunca tinham visto nem ouvido semelhante coisa. Também foi ocasião de grande devoção uma cruz que os próprios indígenas levantaram: tendo-lhes nós explicado por que razão os cristãos adoram a cruz, eles se ajoelharam conosco para adorá-la. Desconhecida até agora nestas terras, espero em nosso Senhor que esta cruz seja o princípio para se levantarem muitas outras.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sinais que precederão a segunda vinda do Salvador.


Profecia antiga destaca os sinais que precederão a segunda vinda do Salvador.


(Extraído do Informativo ao Grupo Plenitude dos Tempos, Número 03 – Junho 2010, págs. 65 a 71)


Encontrada séculos atrás, escrita em português antigo, e guardada de pai para filho, por muito tempo esta profecia foi desprezada, mas lendo-a vê-se que se cumpre. Seja quem for que a tenha recebido, mostra-se verdadeira profecia de Deus. Ela tem semelhança com muitas profecias do fim dos tempos de outras fontes, porém com mais minúcias.

A Profecia:

‘Meus filhos, vos revelarei palavras que ouvi:

Ficai atentos quando a Igreja chamar de santa a uma mulher que revelará, da parte de Deus, o julgamento dos profetas, sábios, doutores, evangelistas, bispos e padres. Ela revelará o mistério escondido do julgamento dos maus e dos bons servidores da Igreja. Ela estará presente na condenação e salvação de muitos deles. Tudo o que Deus lhe mostrar ela dirá e dirá com pormenores. Seus escritos irão por todo o mundo e muitos maus servidores se arrependerão e se converterão; os bons ficarão melhores, os maus ficarão piores, muitos se condenarão. Depois dessa santa, se passarão cinco séculos para tudo piorar.

Eis os sinais que precederão a segunda vinda do Salvador:

“Os homens começarão a virar bicho, 553 anos depois desta que será proclamada santa pela Igreja. A cada ano que passar, eles ficarão mais feios e nojentos.

Mudarão seus cabelos e corpos com pinturas e objetos.

Homens se dirão mulheres e mulheres se dirão homens.

Negarão a beleza de suas almas e sua natureza de filhos de Deus.

Quererão ser parecidos com os demônios, nos quais dirão não acreditar, mas os procurarão para fazer perguntas e pactos.

Desprezarão os símbolos da fé de Pedro, comprarão os símbolos do anticristo, que
usarão nas orelhas, nariz e muitas partes do corpo.

Farão incisões e imagens em suas carnes, em desobediência ao que Deus proibiu a Moisés.

Os que andarem com Deus parecer-se-ão com Ele em seus semblantes.

O afastamento de Deus e a aproximação com os demônios mudará o comportamento, o costume, os sorrisos, os olhares e as faces das pessoas.

O sacrifício de crianças aos demônios voltará.

Como animal, as carnes dos homens serão vendidas aos pedaços.

Quanto mais se aproximar o tempo do anticristo, mais os homens perderão a espiritualidade; eles serão mais bichos do que homens.

Haverá mais templos de adoração ao corpo do que igrejas. Nestes templos, eles modificarão suas carnes. Procurarão a saúde e a beleza eterna do corpo, que jamais encontrarão.

Ficai atentos quando as mulheres se vestirem e forem à guerra como os homens.

Vigiai quando a mulher der à luz diferente do natural e quando elas se derem ao vinho nas ruas, iguais aos beberrões.

Vigiai quando a maioria das mulheres perderem o pudor, a honestidade, e andarem vestidas com roupas que desagradam a Deus.

Vigiai quando os homens levarem suas mulheres aos locais de prostituição.

Vigiai e orai mais quando os homens puderem voar.

Quando eles disserem que pisaram a terra do astro da noite.

Quando eles puderem se ouvir, conversar um com o outro do outro lado da terra.

Quando os judeus em um só dia fundarem o seu país.

Quem jamais ouviu tal coisa, quem jamais viu coisa semelhante?

Vigiem quando as guerras não pararem no Oriente Médio.

Quando satanás tiver suas igrejas nas cidades e todos disserem que ele também tem direitos.

Quando os homens disserem que bem-aventurado é quem não tem sede nem fome de justiça; bem-aventurados os que não choram.

Quando compararem Jesus aos falsos deuses e disserem que o Filho de Deus não é Deus.

Quando disserem que não haverá fim do mundo e sim fim da Era de Jesus.

Quando disserem que a glória do Salvador é o sol que nasce todos os dias, que os
espinhos da cruz são os raios do sol nas nuvens, que Jesus é o plágio dos deuses e tentarem provar a semelhança de Jesus com os deuses dos homens.

Quando compararem os símbolos da astrologia com os 12 Apóstolos e disserem que eles representam as 12 constelações da cruz do Zodíaco.

Quando negarem os milagres e humanizarem a Sagrada Escritura, dizendo que ela não tem a verdade, mas que é uma invenção política dos romanos.

Quando disserem que a Sagrada Escritura é um plágio das religiões mais antigas, que ela é um mito antigo e supersticioso.

Vigiem quando a raiva e a paciência, a loucura e a inteligência negarem o Filho de Deus com a ciência.

Vigiai quando satanás for invocado nas seitas, que existirão sem se esconder.

Vigiai quando as leis dos países derem dinheiro às assembléias e seitas para invocarem os demônios.

Vigiai quando o mundo aplaudir uma festa de iniqüidade com homens e mulheres nus e vestidos de loucos, festas de gritos, pecados, sorrisos e bêbados.

Vigiai quando a preguiça crescer igual à violência e à imoralidade.

Quando for dado dinheiro para os homens não trabalharem. Quando este dinheiro provocar muita ociosidade para os pobres.

Vigiai quando satanás tiver pregadores nas igrejas e professores nas ciências.

Quando os sábios perderem sua sabedoria e se tornarem ingênuos e estúpidos.

Quando os velhos quiserem ser jovens e brincarem como as crianças.

Vigiai quando trocarem a Cruz do Salvador pela riqueza e prazeres.

Quando estas pessoas abandonarem as reuniões dos santos.

Quando as igrejas e mosteiros se esvaziarem de monges e monjas. Quando os pastores estiverem sem ovelhas.

Quando poucos procurarem comer a Carne e beber o Sangue de Cristo.

Vigiai quando Deus tiver que requisitar o povo comum para o trabalho do Evangelho.

Vigiai quando o pobre for apegado aos bens que não tem, igual ao rico que tem.

Vigiai quando houver quadros de luz com pinturas vivas nas casas.

Vigiai quando não se precisar mais de tinta para escrever.

Quando as carroças andarem sem cavalos e bois.

Vigiai quando houver conforto desnecessário em todas as casas.

Vigiai quando os homens tiverem água e fogo dentro de casa.

Vigiai quando os velhos e velhas, esquecidos de suas almas, trocarem a igreja pelas festas e os templos de corpos.

Neste tempo, os homens se preocuparão mais com seus corpos que com suas almas.

Os maus religiosos farão pior que o povo nos cuidados de suas carnes.

Com seus exemplos e palavras ensinarão a frouxidão e a negligência, ensinarão como cuidar da carne e muitas almas irão ao inferno com a doutrina do inferno.

Os maus religiosos nada farão para proteger o rebanho contra os pecados que invadem a terra; eles mesmos participarão das orgias de pecados ao invés de rebatê-los.

O rebanho ficará sem pastores.

Os maus pastores não amarão a Cruz, o sofrimento, o jejum, sacrifícios e penitências, a vida reclusa, o silêncio, a oração; serão vaidosos, orgulhosos e amantes da vida fácil, sem cruz.

Um pequeno resto de santos pastores sobreviverá; serão estes que, juntos com Jesus, não deixarão a Igreja cair; enquanto eles vivem segundo a vontade de Deus, os outros viverão segundo suas vontades e desejos carnais.

Muitos destes maus pastores ficarão doentes repentinamente; outros, sem esperarem, sofrerão acidentes; outros serão julgados pelo próprio Jesus, que tirará suas vidas para que eles não destruam mais almas inocentes. Uns morrerão dentro da igreja, por desrespeitarem o Corpo e o Sangue do Senhor. Outros morrerão em lugares de pecados e onde estavam pecando.

Bispos santos suspenderão maus padres e o Chefe da Igreja tirará o direito de alguns bispos não santos.

Vigiai quando virdes as crianças violentas e perversas como os assassinos. Quando o rosto das crianças e jovens forem maus. Quando eles forem mais espertos que os adultos.

Quando o cabelo branco não for mais sabedoria. Quando os anciãos, grávidas e viúvas não receberem honra e respeito.

Quando por uma correção os filhos matarem seus pais e quando os pais forem proibidos de educarem seus filhos.

Vigiai quando os homens morrerem de violência sem guerra, mais do que na guerra.

Vigiai quando os jovens do mundo todo, que não se conhecerão, estiverem unidos na mesma maldade e incredulidade.

Quem vai conseguir tal proeza? Vai ser o anticristo; ele trabalhará escondido, dominará as mentalidades, preparando a sua aparição e então aparecerá. Ele será aceito pelos condenados.

Vigiai quando virdes os grandes amigos se tornarem grandes inimigos.

Vigiai quando virdes ignorância, corrupção e escândalos nos Pastores da Igreja; tudo isso é para desviar o rebanho do Senhor da verdade. Os escândalos de muitos pastores não mancharão a inocência só de poucos, que se manterão santos e puros.

Vigiai quando os religiosos não forem mais identificados pelos trajes santos.

A oração, o jejum, a misericórdia serão desprezados; não haverá respeito pelo Corpo e pelo Sangue do Senhor.

Bispos e padres, que servem aos demônios, proibirão os exorcismos para que os demônios fiquem na Igreja e na Terra com forças diabólicas. Por causa desta proibição, a Religião de Cristo perderá fiéis para as assembléias e seitas dos demônios.

O Chefe da Igreja mandará que em todas as Igrejas se expulsem os demônios com sua oração. A Igreja terá certo sossego. Satanás, irado, usará os seus servos e servas e conseguirá fazer com que esta oração seja retirada das igrejas, e assim ganhará forças.

Todos os sacramentos serão desprezados por um grande número de sacerdotes.

Os Bispos não terão controle sobre os padres, que brigarão uns com os outros; uns até se matarão.

Bispos e padres estarão acomodados com o pensamento de que Cristo está na Igreja e não permitirá que Ela seja destruída. A acomodação nesta verdade os prenderá nas trevas de muitas negligências e pecados. Cegos e dignos de castigo eterno, eles se ocuparão de coisas, leis e assuntos que de nada servem. Nestes tempos, os gananciosos quererão o dinheiro da Igreja.

A Igreja se manterá firme, pobre e santa pelos poucos bispos e padres
que se manterão fiéis à Verdade do Evangelho; os poucos fiéis sofrerão muito, mas nada os derrotará, pois Jesus Cristo estará com eles. Eles serão muito incompreendidos, caluniados e perseguidos; serão traídos pelos padres e bispos que procuram sua glória pessoal. Nos templos e igrejas, as pessoas entrarão com roupas desrespeitosas.

Vigiai, porque estes são os sinais mostrando que está próxima a vinda do Salvador.

Nestes tempos de grandes tribulações, satanás estará solto, indo e vindo, dentro e fora da Igreja, dos governos, das famílias, das cidades e das ruas, caçando as almas inocentes e de grande pureza. Os que amam a Deus nestes tempos que virão deverão ser humildes para não caírem com as tentações de Judas Iscariotes.

Quanto mais se aproximar o tempo do anticristo, mais demônios sairão do inferno para destruir a boa inteligência dos homens.

Os bons serão atormentados de muitas tentações e poderão se perder.

A violência aumentará sem que ninguém a possa dominar. Serão feitas leis e aumentarão o exército, mas nada poderá diminuir a violência. Haverá desordens em toda a parte; os homens se sentirão incapazes, mas não se humilharão diante de Deus e nem se arrependerão de seus pecados contra Ele.

Estes homens depravados falarão de paz, esperarão a paz, mas é a guerra que virá, quando as Nações descerem ao Vale de Josafá.

Haverá terremotos pequenos e irão ficando maiores. Serão poucos e depois serão muitos. Raios e inundações sobre a terra; fomes, doenças e pestes; coisas espantosas e grandes sinais no céu. Geração cega. Não saberá ver os sinais dos tempos. Como Jerusalém, será destruída por não querer conhecer os sinais dos tempos.

Até pessoas espirituais terão dificuldade de compreender os sinais dos tempos pela comparação da figueira. A maioria das pessoas cristãs não pressentirá que o verão está próximo, mesmo com os ramos tenros e o crescimento das folhas.

Surgirão doutrinas mentirosas para divertir homens, mulheres e crianças, que se deixarão perder sem perceber. Os velhos terão demônios por professores dentro de casa; as crianças os terão dentro e fora de casa.

Quanto mais se aproximarem os tempos do anticristo, mais perigo de perder a salvação correrão os cristãos, pois satanás se dedicará notadamente em destruir a fé, o amor e a fidelidade deles a Deus, à Igreja e aos irmãos do mosteiro.

O próprio satanás expulsará os cristãos de dentro da Igreja e dos mosteiros.

Bispos e padres receberão como ajuda pessoas enviadas pelos demônios, que dirão querer ajudá-los e eles acreditarão; estes filhos do demônio farão muito mal dentro da Igreja.

Satanás incomodará os cristãos fracos para que não mantenham sua fé, amor e fidelidade aos seus irmãos de religião, dentro dos mosteiros.

Muitos cristãos pegarão o arado da salvação de suas almas, mas não agüentarão o calor das provações e tentações; milhares largarão o arado crendo em ensinamentos do anticristo, de que Deus é amor e a todos perdoará.

Sem crerem mais na Justiça de que Deus recompensa a cada um segundo as suas obras, eles viverão na Igreja como tíbios, e assim serão transformados em filhos e servidores dos demônios, pelo próprio satanás.

Faltarão pastores tementes a Deus, por isso muitos perderão a fé. Quem a procurar, tentará se afastar do mundo, mas poucos encontrarão os raros oásis de santidade no deserto de pecados do mundo. Dos que os encontrarem, haverá os que os desprezarão por causa das tentações.

Assembléias e seitas venderão riquezas e conforto aos gananciosos e desprevenidos; encherão seus templos de pobres coitados, que se afastarão do caminho da fé. Caminharão para o inferno com estes homens que servem ao dinheiro. Dentro da Igreja muitos julgarão estar servindo a Deus, mas estarão servindo ao demônio; isto acontecerá porque não serão pessoas humildes e renunciadas de si, serão pessoas que não suportam o sofrimento. Sem motivos, largam o arado e a cruz, não conseguindo ser fiéis à Igreja.

Não serão nem mão e nem pé, não serão nada, quando quiserem ser o que Deus não quer que sejam. Não farão parte do Corpo de Cristo porque não quererão ser um membro destinado por Deus. “Foi Ele quem de uns fez Apóstolos, de outros, Profetas ou Evangelistas, Pastores ou Doutores, para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, e para a construção do Corpo de Cristo.” (Ef. 4, 11-12).

Haverá um caos dentro da Igreja e dos mosteiros. A mão vai querer ser pé e o pé, a mão; o olho quererá ser nariz e o nariz quererá ser ouvido. Dirão que estando no Corpo são eles que escolhem onde ficar. E assim, a mão quererá ficar no lugar do olho mas nunca conseguirá. Levados pelo espírito do anticristo, trairão uns aos outros, pularão o muro e fugirão dos limites estabelecidos por Deus; serão mestres de si mesmos. “Eles não compreendem nem o que dizem, nem as questões que defendem, apesar de se apresentarem como doutores da lei.” (1Tm. 1,7).

Assim como no tempo da provação de Saulo, na morte de Estevão, onde houve grande perseguição contra a comunidade de Jerusalém e todos se dispersaram pelas regiões da Judéia e da Samaria, com exceção dos apóstolos (At. 8, 1), assim também os demônios farão grande perseguição contra os fiéis que viverem em comunidades, e conseguirão levar ao inferno todos os que forem fracos e covardes, como os discípulos que deixaram de andar com Jesus, que vendo a traição, perguntou aos doze apóstolos: “Quereis vós também retirar-vos?” (Jo. 6,57).

Deus dará um tempo de misericórdia e de arrependimento aos homens, mas muitos deles não vão querer este tempo. Ao invés de se arrependerem e se voltarem para Deus, eles se entregarão às imundícies e paixões animalescas.

A verdade vai sumir, a luz vai se apagar, as trevas vão dominar os corações dos depravados do futuro, que não reencontrarão o caminho da salvação, mas estarão ao alcance da cabeça da serpente.

No mundo será difícil ser casto e puro; a inocência sumirá até das crianças. Elas se prostituirão entre si e com adultos.

O maligno apresentará o pecado como vantagem; ele oferecerá o adultério, a homossexualidade, a imoralidade, o ocultismo, a luxúria, a dissipação, a mentira, a devassidão, a cobiça, o dinheiro, a riqueza, os prazeres carnais, a violência e o crime; muitos aceitarão, trocando o caminho estreito pelo largo, sem doer na consciência. Ficarão sem as graças do Espírito Santo e sem sentirem falta da Água Viva.

Irritar-se-ão os pagãos, mas eis que sobrevirá a ira e o tempo de exterminar os que corromperam a terra. Tempo de julgar os mortos, de dar a condenação aos maus e a recompensa aos servos, aos profetas, aos santos, aos que temem o nome de Deus; pequenos e grandes.

Quando os homens se entregarem livremente a satanás e tudo parecer perdido, Deus abreviará os tempos, para que não se percam os escolhidos. De repente será derrubado e destruído o corrupto, os corruptores e seus seguidores.

“Então se vai manifestar o ímpio. E o Senhor Jesus vai destruí-lo com o sopro de sua boca, e o aniquilará na sua vinda gloriosa.” (2Ts. 2,8)
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