sexta-feira, 12 de junho de 2009

S. Pedro de Alcântara.


São Pedro de Alcântara – Método de Oração. ( “Tratado da Meditação e da Oração” ).

1. Preparação. Desviar-se do mundo, sinal da cruz, elevar-se, arrependimento, confissão ( manhã ); exame ( noite ). Gn 19,27 e Sl 122,1 ( “A ti levantei meus olhos...” ). Invocar o Espírito Santo, pedir graça.

2. Leitura atenta, lenta ( entendimento, vontade ). Deter-se em passagem mais devota ou ler e meditar a cada passagem.

3. Meditação. Usar imaginação e entendimento ( como se estivesse presente, ou em nossa vida, ou coração ). Imaginar passagens. Entender benefícios, misericórdia, perfeições de Deus.

4. Ação de graças ( por benefícios ) : Sl 115,12 (“Que darei...”).

5. Oferecimento da própria vida e da vida de Cristo.Oferecer-se como escravo, entregar-se ( palavras, obras, trabalhos, pensamentos, padecimentos para a glória de Deus. Oferecer Cristo ( palavras e feitos, méritos e virtudes – nossa herança,recompensa e patrimônio ) .

6. Petição ( o que nos convém para nossa própria salvação, do próximo e de toda a Igreja ). Pela Igreja, reis, pecadores, defuntos, pobres, enfermos, encarcerados, para que todos conheçam, amem e sigam Jesus Cristo.

Conhecer-se e saber necessidades para pedir.

1°. Por méritos e obras de Jesus Cristo, perdão e emenda de nossos pecados para saná-los e curá-los.

2°. Pedir virtudes: fé , esperança, amor, temor, humildade, paciência, obediência ( oferta de si a Deus ), fortaleza, pobreza de espírito, desprezo do mundo, discrição ( sabedoria, discernimento ), pureza de intenção, etc.

3°. Temperança, guarda dos sentidos e da língua.

4°. Petição do amor de Deus para amar como Deus.

Avisos.

1°. Deter-se onde e enquanto durar o afeto (levar à devoção).

2º. Meditar menos com o entendimento e mais com afetos e sentimentos da vontade. Mais escutar do que falar.

3º. Tornar-se presente, receptivo, em paz, atento.

4º. Coração atento, recolhido, elevado. Não cansar a cabeça com excesso de atenção ou pensamento.

5º. Perseverar : o verdadeiro devoto persevera. Ler repousado e com sentimento, entremeando a oração com a leitura.

6º. Menos de 1 1/2 ou 2 horas é tempo curto para a oração. Gasta-se muito tempo para aquietar a imaginação (=”afinar a viola” ).

7º. Aproveitar as contemplações e gastar tempo nelas.

8º. Meditação = navegação, meio ( entendimento ). Contemplação = porto, fim ( afeto e vontade ). Cessar a meditação ao chegar ao porto.

Devoção facilita a oração e as obras.

Devoção é uma virtude, a qual faz o homem pronto e hábil para toda virtude e o desperta e facilita para o bem obrar (S.Tomás). Fervor, impulso para o bem.

O que ajuda a alcançar a devoção.

1. Guarda do coração contra pensamentos e afetos desordenados.

2. Guarda dos sentidos ( olhos, ouvido e língua ). O contemplativo há de ser surdo, cego e mudo.

3. Solidão : o orante e Deus ( sem distrações ).

4. Leitura de livros espirituais e devotos, que dão matéria para meditar, recolhem o coração, ( a memória é a abundância do que enche o coração ).

5. Andar na Presença de Deus: uso de jaculatórias ( guardam o coração, mantêm fervor ).

6. Perseverar nos bons exercícios nos tempos ( noite e madrugada ) e lugares ordenados.

7. Asperezas e disciplinas corporais: disciplina, mesa pobre, cama dura, etc.

8. Obras de misericórdia: confiança para padecer diante de Deus; oração de coração misericordioso é recebida com misericórdia.

O que impede a devoção.

1. Pecados: tiram o fervor da caridade (= devoção).

2. Remorso de consciência: deixa a alma inquieta e fraca.

3. Escrúpulos: inquietam a alma.

4. Tristeza desordenada: falta alegria espiritual.

5. Cuidados demasiados : inquietam.

6. Ocupações excessivas: deixam sem tempo e sem coração para Deus.

7. Consolações sensuais: quem se dá muito às consolações do mundo não merece as do Espírito Santo ( S.Bernardo ).

8. Demasiado comer e beber: corpo pesado não deixa a alma voar ao alto.

9. Curiosidade dos sentidos e do entendimento: ocupa o tempo, inquieta a alma, dispersa.

10. Interrupção dos exercícios: falta de alimento espiritual.

Tentações fatigantes e seus remédios.

1. Falta de consolações espirituais. Persistir: mais humildade, paciência, oração, perseverança. Dar tudo de si. Exame, pedido de perdão. Guardar coração, examinar pensamentos, palavras e obras. Imitar as virtudes do Salvador (=padecer sem consolo, beber o cálice da obediência ).

2. Pensamentos importunos. Voltar-se para Deus sem escrúpulo e sem angústia, com humildade e devoção ( e persistência ). Contar com a Graça: Graça e humildade são a solução.

3. Pensamentos de blasfêmia e infidelidade. Contra a blasfêmia: o pecado não está no sentimento, e sim no consentimento ( desprezar a tentação e não a temer – o temor a desperta e a levanta ).

4. Tentação de infidelidade: comparar a pequenez humana e a grandeza divina, pensar no que Deus lhe manda ( fechar o olho da razão e abrir o da fé ).

5. Temores e fantasias. Perseverar na oração traz ousadia, fugir aumenta o temor. Nem o demônio nos pode fazer o mal sem licença de Deus: temos nosso Anjo da Guarda.

6. Sono demasiado: se necessário, durma; se de preguiça e demônio, jejum, abstinência, disciplina, aspereza e pedir Graça.

7.Tentação de desconfiança ou presunção.

Desconfiança: contar com a Graça ( desconfiar da própria virtude e confiar só na bondade de Deus ). Contra a presunção: comparar-se com os santos ( ver o tanto que falta, não o que já alcançou ).

8. Demasiado apetite de saber e estudar : considerar a virtude mais excelente do que a ciência, a sabedoria divina mais do que a humana. Adquire-se a primeira pelos exercícios no amor de Deus.

9. Zelo indiscreto de aproveitar a outros: trabalhar no proveito do próximo, não em nosso, e não em seu prejuízo.

Avisos aos que se dão à oração.

1º. Amar a Deus e a Deus buscar ( e não amar a si e a si buscar por doces consolações = luxúria e gula espirituais ).

Finalidade da vida espiritual = obediência aos mandamentos e cumprimento da divina vontade ( = morte da vontade própria, que lhe é contrária ).

Frutos da oração = Quanto cresce a cada dia em humildade exterior e interior? Como sofre as injúrias dos outros? Como releva as fraquezas alheias? Como acode às necessidades do próximo? Como se compadece, e não se indigna com os defeitos alheios? Como governa sua língua? Como guarda seu coração? Como controla a carne, seus apetites e sentidos? Como se vale nas prosperidades e adversidades? Está morto para o amor da honra, do prazer, do mundo? Age com gravidade e discrição? Um olho na mortificação e outro na oração ( a oração sustenta a mortificação ).

2º. Consolações espirituais inspirem a ação, não a simples deleites.

3º. Revelar segredos das consolações apenas ao mestre espiritual.

4º. Tratar com Deus com humildade e reverência; olhar-se com humildade e contrição.

5º. Desocupar-se para entregar-se a exercícios espirituais, principalmente em tempos de festas, tribulações, após viagens e negócios que absorvem energia e atenção.

6º. Cuidado com extremos: exageros ou faltas de discrição ( discretio=sabedoria ) e trabalho.

7º. Não descuidar das outras virtudes ( a virtude da oração, base do concerto da vida espiritual, não se basta sozinha ).

8º. Não considerar técnicas e regras como arte. Contar com a graça misericordiosa através de profunda humildade e conhecimento da própria miséria com grandíssima confiança na Divina Misericórdia.

Introdução ao serviço de Nosso Senhor.

1º. Confissão geral de todas as culpas passadas. Passar por todas as idades e mandamentos: tudo o que disse, fez ou pensou contra Deus, o próximo e a si mesmo ( usar tinta e papel – examinar-se por dias ).

2º. Exercitar-se nas meditações da 1ª. Semana ( detestar pecados, temer a Deus, desprezar o mundo ). Conhecer os avisos supra.

3º. Preparar-se para comunhão ( 1 ou 2 dias antes – temor, tremor, quietude e recolhimento – leituras, meditações e orações ).

4º. Aprender a se comportar em todos os lugares e tempos. Andar na Presença de Deus e agir como se estivesse em Sua frente. Quando o pensamento se dispersar, recolhê-lo ao interior com amor e devoção, oferecer-se e pedir o amor e a graça de Deus.

De manhã:

1. Agradecer por benefícios.

2. Oferta de si a Deus para Sua Glória e cumprimento de Sua vontade.

3. Pedir graças para cumprir a vontade divina e superar vícios ( rezar Pai-Nosso e Ave-Maria devotamente ).

Noite:

1. Exame ( o que fez, disse, pensou ). Confessar, pedir perdão e graça da emenda com devoção ( Pai-Nosso, Ave-Maria ).

Ao deitar-se: deitar-se como estará na sepultura, meditar sobre o “defunto”, rezar por si um responso, Pai-Nosso, Ave-Maria.

Ao acordar de noite: Glória. Ao ver hora: “Bendita a hora em que Nosso Senhor Jesus Cristo por mim nasceu e morreu; Senhor, na hora da minha morte, lembra-te de mim.”

À mesa: dar graças a Deus, que dá de comer, criou tudo para seu serviço, pela comida, a quantos falta o que a si sobra, com facilidade tem o que outros conseguem com trabalho e perigo.

Ao ser tentado.

Meditar sobre Cristo crucificado e torturado para destruir o pecado, pedir com devoção que não reine em nosso coração o que ele procurou destruir com tanto sofrimento.

“Senhor, como aí vos pusestes para me afastar de pecar! Não o permitais, Senhor, por essas sacratíssimas chagas; não me desampareis, meu Deus, pois me venho a vós . Ajudai-me, Senhor meu Deus, defendei-me deste dragão, pois nada posso sem vós.”

Sinal da cruz sobre o coração.

Para aproveitar muito em pouco tempo, ser solícito em:

1º. Aspereza e maltrato da própria carne.

Aspereza e temperança no comer e beber, vestir, na cama e em tudo que usar; estar de joelhos, em pé, em cruz ou prostrado na oração; fazer disciplinas, jejuns, vigílias em oração.

Que se aflija a carne ( sem dano à saúde corporal ) e fortaleça o espírito.

2º. Mortificação interior de si mesmo, apetites, inclinações sensuais.

Abnegação da própria vontade para cumprir a Divina Vontade e a dos superiores.

Exercício de virtudes e da caridade.

3º. Contínua oração ( para crucificar a carne – mortificação interior, negação de si mesmo, exercício das virtudes ).

Ter tempos destinados à oração, andar na Presença do Senhor.

Com jejuns e asperezas corporais, santifica-se a carne.

Com mortificação e abnegação dos apetites, purifica-se a alma.

Com oração, aperfeiçoa-se o espírito, que se aproxima e se faz um só com Deus ( a última perfeição ).

Corpo ( sentidos ): guarda dos sentidos ( olhos, ouvidos e língua – a chave de tudo ).

Alma:

- imaginação: guarda do coração ( ou recolhimento da imaginação );

- pensamentos: imaginação atada a santos pensamentos.

Dois pés no caminho: orar e trabalhar ( “ora et labora” ):

1. Graça de Deus – “ora” – água do céu = oração e sacramentos ( confiar em Deus ).

2. Trabalho do homem – “labora” – agricultura = castigo da carne, guarda dos sentidos, mortificação dos apetites, recolhimento da imaginação.

Orar e trabalhar = “nem pela demasiada confiança em Deus se deite a dormir, nem pela demasiada confiança em seus trabalhos menospreze o socorro da Divina Graça”.

Cruz de todo o homem = cruz para todas as suas partes : para o corpo, para os olhos, ouvidos, língua, afetos, apetites, imaginação – suplício e morte que nossa alma há de abraçar e eleger.

“Sem esta cruz, coisa nenhuma valem todas as nossas orações, senão para vivermos mais enganados, de maneira que nem aproveita o trabalho sem a oração, porque não será duradouro, nem a oração sem o trabalho, porque não será frutuosa.”

O mandamento da caridade.


Santo Tomás de Aquino

O MANDAMENTO DA
CARIDADE


1. Introdução.
Três coisas são necessárias à salvação do homem, a saber:
a ciência do que se há de crer,
a ciência do que se há de desejar,
e a ciência do que se há de operar.



A primeira nos é ensinada no Credo, onde nos é ensinada a ciência dos artigos da fé. A segunda, no Pai Nosso. A terceira na Lei.

Agora a nossa intenção é acerca da ciência do que se há de operar, para tratar da qual encontramos quatro leis.



2. A lei da natureza.
A primeira lei é dita lei da natureza, e esta nada mais é do que a luz da inteligência colocada em nós por Deus, pela qual conhecemos o que devemos agir e o que devemos operar. Esta luz e esta lei Deus a deu ao homem na criação, mas muitos acreditam dela poderem desculpar-se por ignorância se não a observarem. Contra estes diz, porém, o profeta no salmo quarto:
"Muitos dizem:
Quem nos mostrará o bem?",


como se ignorassem o que é para se operar. Mas o próprio profeta no mesmo lugar responde:

"Sobre nós está assinalada
a luz do teu semblante, ó Senhor",


luz, a saber, do intelecto, pela qual nos é conhecido o que se deve agir. De fato, ninguém ignora que aquilo que não quer que seja feito a si, não o faça ao outro, e outras tais.



3. A lei da concupiscência.
Posto, porém, que Deus na criação deu ao homem esta lei, a saber, a da natureza, o demônio, todavia, semeou sobre esta uma outra lei, a da concupiscência. Com efeito, até quando no primeiro homem a alma foi submissa a Deus, observando os divinos preceitos, também a carne foi submissa em tudo à alma, ou à razão. Mas depois que o demônio pela tentação afastou o homem da observância dos preceitos divinos, também a carne se tornou desobediente à razão. De onde aconteceu que ainda que o homem queira o bem segundo a razão, todavia é inclinado ao contrário pela concupiscência. E isto é o que nos diz o Apóstolo no sétimo de Romanos:
"Mas vejo outra lei nos meus membros
que se opõe à lei da minha razão".


Daqui é que freqüentemente a lei da concupiscência corrompe a lei da natureza e a ordem da razão, e por isso acrescenta o Apóstolo:

"Acorrentando-me à lei do pecado".





4. A lei da Escritura, ou do temor.
A lei da natureza, pois, estava destruída pela lei da concupiscência. Fazia-se, portanto, necessário que o homem fosse restituído à obra da virtude e fosse afastado dos vícios. Para isto foi necessária a lei da Escritura.
Deve-se saber, porém, que o homem é afastado do mal e induzido ao bem por duas coisas, a primeira das quais sendo o temor. De fato, a primeira coisa pela qual alguém maximamente principia a evitar o pecado é a consideração das penas do inferno e do juízo final. Por isso é que o Eclesiástico nos diz:

"O início da Sabedoria
é o temor do Senhor",


e também:

"O temor do Senhor
expulsa o pecado",


pois, ainda que aquele que por temor não peca não seja justo, todavia daqui principia a justificação. É deste modo que o homem é afastado do mal e induzido ao bem pela lei de Moisés, a qual punia os transgressores com a morte:

"Quem transgride a Lei de Moisés
é condenado à morte, sem piedade,
com base em duas ou três testemunhas".


Heb. 10





5. A lei Evangélica, ou do amor.
O modo do temor, porém, é insuficiente, e a lei que foi dada por Moisés desta maneira, afastando do mal pelo temor, também foi insuficiente. De fato, ainda que obrigasse a mão, não obrigava a alma. Por isso há um outro modo de afastar do mal e induzir ao bem, a saber, o modo do amor, e deste modo foi dada a lei de Cristo, a lei Evangélica, que é lei de amor.


6. A lei do amor torna livre.
Deve-se considerar, entretanto, que entre a lei do temor e a lei do amor são encontradas três diferenças.
A primeira consiste em que a lei do temor faz de seus observantes servos, enquanto que a lei do amor os faz livres. Pois quem opera somente pelo temor opera pelo modo de servo; quem, porém, o faz por amor, o faz por modo de livre, ou de filho. De onde que diz o Apóstolo:

"Onde está o Espírito do Senhor,
lá está a liberdade",


II Cor. 3


porque, a saber, estes por amor agem como filhos.



7. A lei do amor introduz nos bens celestes.
A segunda diferença está em que os observadores da primeira lei eram introduzidos nos bens temporais, conforme diz Isaías:
"Se quiserdes, e me ouvirdes,
comereis dos bens da terra".


Is. 1


Mas os observadores da segunda lei são introduzidos nos bens celestes:

"Se queres entrar na vida,
observa os mandamentos".


Mat. 19


E também:

"Fazei penitência".


Mat. 2





8. A lei do amor é leve.
A terceira diferença é que a primeira é pesada:
"Por que quereis impor
um jugo sobre nós
que nem nós, nem nossos pais
puderam suportar?"


Atos 15


A segunda, porém, é leve:

"O meu jugo é suave,
e o meu peso é leve".


Mat. 11


E também:

"Não recebestes um espírito de servidão
para recairdes no temor,
mas recebestes o espírito
de adoção de filhos".


Rom. 8





9. Conclusão: simplicidade e retidão da lei de Cristo.
Assim, portanto, como já foi dito, encontram-se quatro leis, a primeira sendo a lei da natureza, que Deus infundiu no homem na criação, a segunda a lei da concupiscência, a terceira a lei da Escritura, a quarta a lei da caridade e da graça que é a lei de Cristo.
Como, porém, é evidente que nem todos podem ser versados na ciência, foi-nos dada por Cristo uma lei breve, para que por todos pudesse ser sabida, e ninguém por ignorância pudesse escusar-se de sua observância, e esta é a lei do amor divino. Como diz o Apóstolo:

"Fará o Senhor
uma palavra abreviada
sobre a terra".


Rom. 9


Deve-se saber, ademais, que esta lei deve ser a regra de todos os atos humanos. Com efeito, assim como vemos nas coisas feitas pela arte humana, em que cada obra é dita boa e correta quando segue a regra da arte, assim também qualquer obra humana é reta e virtuosa quando concorda com a regra do amor divino. Quando, porém, discorda desta regra, não é boa, nem reta, ou perfeita. Portanto, para que os atos humanos se tornem bons, é necessário que concordem com a regra do amor divino.



10. Os efeitos da lei do amor: o amor causa
a vida espiritual.
Deve-se saber, também, que esta lei, a do amor divino, produz quatro coisas no homem imensamente desejáveis, a primeira das quais é causar no mesmo a vida espiritual.
É, de fato, manifesto que o amado está naturalmente no amante e por isto, quem a Deus ama, possui Deus em si:

"Quem permanece na caridade
em Deus permanece,
e Deus nele".


I Jo. 4


A natureza do amor é também tal que transforma o amante no amado; de onde que se amamos o que é vil e caduco, vis e instáveis nos tornamos:

"Fizeram-se abomináveis
assim como o que amaram".


Os. 1


Se, porém, a Deus amarmos, divinos nos tornaremos, porque, como está escrito:

"Aquele que se une ao Senhor,
constitui com Ele um só espírito".


I Cor. 6


Neste sentido é que Santo Agostinho diz que assim como a alma é a vida do corpo, assim Deus é a vida da alma, e isto é manifesto. Porquanto dizemos o corpo viver pela alma, quando tem as operações próprias da vida, e quando opera e se move. Apartando- se, porém, a alma, nem o corpo opera, nem se move. Assim também a alma opera virtuosa e perfeitamente quando opera pela caridade, pela qual Deus habita nela. Sem a caridade, porém, não opera:

"Quem não ama,
permanece na morte".


I Jo. 3


Deve-se considerar, também, que se alguém tiver todos os dons do Espírito Santo sem a caridade, não tem a vida. Seja, de fato, a graça de falar em línguas, seja o dom da fé, ou seja qualquer outro, sem a caridade não concedem a vida. Com efeito, se o corpo dos mortos é vestido de ouro e de pedras preciosas, não obstante isto, morto permanece. Causar a vida espiritual é, portanto, o primeiro dos efeitos da caridade.



11. O amor causa a observância dos mandamentos.
O segundo efeito da caridade é a observância dos mandamentos divinos. Diz São Gregório:
"Nunca o amor de Deus
é ocioso".


Porquanto, se existe, opera grandes coisas; se, porém, se recusa a operar, amor não é. De onde que um sinal manifesto da caridade é a prontidão na execução dos preceitos divinos. Vemos, de fato, os que amam operar por causa do amado coisas grandes e difíceis. Diz também o Evangelho de João:

"Se alguém me ama,
observará os meus mandamentos".


Jo. 14


Mas quem observa o mandamento e a lei do amor divino cumpre toda a lei. Pois há dois modos de mandamentos divinos. Alguns são afirmativos, e estes a caridade cumpre porque a plenitude da lei que consiste nos mandamentos é o amor pelo qual os mandamentos são observados. Já outros são proibitórios, e estes também a caridade cumpre, porque

"não age maldosamente",


como diz o Apóstolo na primeira aos Coríntios.



12. O amor é refúgio contra as adversidades.
A terceira coisa que faz a caridade é ser refúgio contra as adversidades. Ao que tem caridade, nenhuma adversidade causa dano, antes, se converte em coisa útil:
"Todas as coisas cooperam
para o bem dos que amam a Deus".


Rom. 8


As coisas adversas e difíceis parecem suaves para os que amam, como entre nós o vemos manifestamente.



13. O amor conduz à eterna bem aventurança.
O quarto efeito da caridade é o de conduzir à felicidade. Somente aos que tiverem caridade a felicidade eterna é prometida, pois todas as coisas sem a caridade são insuficientes:
"Desde já me está reservada
a coroa de justiça,
que me dará o Senhor,
justo juiz, naquele dia.
E não somente a mim,
mas a todos os que tiverem esperado
com amor a sua vinda".


II Tim. 4


E deve-se saber que somente segundo a diferença da caridade será a diferença da bem aventurança, e não segundo nenhuma outra virtude. Muitos, na verdade, fizeram maiores jejuns do que os apóstolos, mas estes na bem aventurança superam todos os outros por causa da excelência da caridade. Eles, com efeito, foram as primícias dos que têm o Espírito, com diz o Apóstolo, no oitavo de Romanos. De onde que a diferença da bem aventurança provém da diferença da caridade, e assim são patentes as quatro coisas que em nós faz a caridade.



14. Outros efeitos do amor: o amor produz
o perdão dos pecados.
Além destas, porém, a caridade faz outras coisas que não se devem deixar passar.
Primeiro, causa o perdão dos pecados, algo que já vemos manifestamente acontecer entre nós. Porquanto, se alguém ofender algum homem e posteriormente vier a amá-lo entranhadamente, o ofendido, por causa do amor com que é amado, perdoará a ofensa. Assim também Deus perdoa os pecados dos que o amam:

"A caridade encobre
uma multidão de pecados".


I Pe. 4


E diz bem o apóstolo que os encobre, porque para Deus não parece que devam ser punidos. Mas, posto que São Pedro diga que encobre uma multidão, todavia Salomão diz no décimo de Provérbios que

"a caridade encobre
todos os delitos",


o que o exemplo da Madalena maximamente manifesta:

"São-lhe perdoados
muitos pecados",


e a causa é mostrada:

"já que muito amou".


Luc. 7


Mas talvez alguém dirá: "Então a caridade basta para apagar os pecados, e não é necessário o arrependimento?" Deve-se considerar, porém, que ninguém verdadeiramente ama, que não se arrependa verdadeiramente. De fato, é manifesto que quanto mais amamos a alguém, tanto mais nos afligimos se a ele ofendemos, e isto é um efeito da caridade.



15. O amor produz a iluminação do coração.
A caridade causa também a iluminação do coração. Com efeito, assim diz o livro de Jó:
"Estamos todos
envolvidos em trevas".


Jó 37


Pois freqüentemente não sabemos o que agir, ou desejar. A caridade, porém, ensina tudo o que é necessário à salvação. Por isto está dito:

"Sua unção
vos ensinará de tudo".


I Jo. 2


Isto é porque, onde está a caridade, lá está o espírito Santo que a tudo conhece, o qual nos conduz no caminho correto, assim como está escrito no Salmo 138. E por isso diz também o Eclesiástico:

"Vós, que temeis a Deus, amai-O,
e se iluminarão os vossos corações",


a saber, para o conhecimento do que é necessário à salvação.



16. O amor realiza a perfeita alegria.
A caridade também realiza no homem a perfeita alegria. Na verdade, ninguém tem verdadeira alegria a não ser existindo na caridade. Quem quer que deseje algo não está contente, nem se alegra, e nem tem repouso enquanto não o conseguir. E nas coisas temporais sucede que o que se não se tem é apetecido, e o que se tem é desprezado e gera o tédio. Mas não é assim nas coisas espirituais; antes, ao contrário, quem a Deus ama, a Deus possui, e por isso a alma de quem o ama e o deseja nEle repousa:
"Quem",


de fato,

"permanece na caridade,
em Deus permanece,
e Deus nele",


como está dito no quarto da primeira Epístola de João.



17. O amor produz a perfeita paz.
Igualmente, a caridade produz a perfeita paz. Pois acontece nas coisas temporais que sejam desejadas com freqüência, mas obtidas as mesmas, ainda a alma do que as deseja não repousa, antes, ao contrário, obtida uma, outra apetece:
"O coração do ímpio
é como um mar revolto,
que não pode repousar".


Ecl. 57


E também, no mesmo lugar:

"Não há paz para o ímpio,
diz o Senhor".


Mas não acontece assim na caridade para com Deus. Quem, de fato, ama a Deus, tem a paz perfeita:

"Muita paz aos que amam a Tua lei,
e não há tropeço para eles".


Salmo 118


E isto porque somente Deus é capaz de satisfazer o nosso desejo, porquanto Deus é maior do que o nosso coração, como diz o Apóstolo. E por isso diz Santo Agostinho no primeiro livro das Confissões:

"Fizeste-nos, ó Senhor,
para ti,
e o nosso coração está inquieto
enquanto não repousa em ti".


E também:

"O qual preenche de bens
o teu desejo".


Salmo 102


A caridade também torna o homem de grande dignidade. Com efeito, todas as criaturas servem à própria majestade divina, e por ela foram feitas, assim como as coisas artificiais servem ao artífice. Mas a caridade faz do servo um livre e um amigo. De onde diz o Senhor:

"Já não vos chamarei de servos,
mas de amigos".


Jo. 15


Mas porventura Paulo não é servo? E os outros apóstolos não escreviam de si serem servos? Quanto a isto deve-se saber que há duas servidões. A primeira é a do temor, e esta é penosa e não meritória. Se, de fato, alguém se abstém do pecado somente pelo temor da pena, não merece por isto. Ainda é servo.

A segunda servidão é a do amor. Se, na verdade, alguém opera não pelo temor da justiça, mas pelo amor divino, não opera como servo, mas como livre, porque voluntariamente, e é por isto que Cristo diz:

"Já não vos chamarei
mais de servos".


E por que? A isto responde o Apóstolo:

"Não recebestes o espírito de servidão
para recairdes no temor,
mas recebestes o espírito
de adoção de filhos".


Rom. 8


"Não há, de fato, temor na caridade", como diz I Jo. 4. O temor tem, certamente, tormento, mas a caridade deleitação.



18. O amor dignifica o homem.
A caridade igualmente torna não somente livres, mas também filhos, para que, a saber,
"sejamos chamados filhos de Deus
e de fato o sejamos".


I Jo. 3


Com efeito, o estranho se torna filho adotivo quando adquire para si o direito na herança de Deus, que é a vida eterna. Pois, como diz Romanos:

"O próprio Espírito
dá testemunho ao nosso espírito
que somos filhos de Deus.
Se, porém, filhos,
também herdeiros:
herdeiros de Deus
e co-herdeiros de Cristo".


Rom. 8


E também:

"Eis que são contados
entre os filhos de Deus".


Sab. 5





19. O amor de caridade só pode ser alcançado
pela graça.
Do que já foi dito fica patente a utilidade da caridade. Pois que, portanto, seja tão útil, deve-se trabalhar diligentemente para adquirí-la e retê-la.
Deve-se saber, porém, que ninguém pode por si mesmo possuir a caridade. Antes, ao contrário, é dom inteiramente de Deus. De onde que diz João:

"Não fomos nós que amamos a Deus,
mas Ele quem nos amou primeiro",


I Jo. 4


porque certamente não por causa de nós o amarmos primeiro que Ele nos ama, mas o próprio fato de o amarmos é causado em nós pelo seu amor.

Deve-se considerar também, que ainda que todos os dons sejam do pai das luzes, todavia este dom, a saber, o da caridade, supera todos os demais dons. De fato, todos os outros podem ser possuídos sem a caridade e o Espírito Santo; com a caridade, porém, possui-se necessariamente o Espírito Santo:

"A caridade de Deus
foi derramada nos nossos corações
pelo Espírito Santo que nos foi dado".


Seja o dom das línguas, portanto, seja o dom da ciência ou o da profecia, todos estes podem ser possuídos sem a graça e o Espírito Santo.



20. Quatro disposições para alcançar de Deus
a graça da caridade.
Mas ainda que a caridade seja dom divino, para possuí- la, todavia, requer-se a disposição de nossa parte. Por isso deve-se saber que duas coisas são necessárias para adquirir a caridade, e duas para aumentar a caridade já adquirida.


21. Primeira disposição: a escuta da palavra
de Deus.
Para adquirir, pois, a caridade, a primeira coisa é a escuta diligente da palavra de Deus, o que é suficientemente manifesto pelo que ocorre entre nós. Ouvindo, de fato, coisas boas de alguém, somos acesos em seu amor. Assim também, ouvindo as palavras de Deus, somos acesos em seu amor:
"A tua palavra é um fogo ardente,
e o teu servo a amou".


Salmo 118, 140


E também:

"A palavra de Deus o inflamou".


Salmo 104


Por esta causa aqueles dois discípulos, ardendo do amor divino, diziam:

"Porventura não ardia em nós
o nosso coração,
enquanto nos falava pelo caminho
e nos explicava as Escrituras?"


Luc. 24


De onde que também no décimo de Atos se lê que

"Pregando Pedro,
o Espírito Santo caiu nos ouvintes
da palavra divina".


E o mesmo freqüentemente acontece nas pregações, isto é, que os que se aproximam com o coração duro, por causa da palavra da pregação, são acesos ao amor divino.



22. Segunda disposição: a meditação.
Para adquirir a caridade, a segunda coisa é a contínua consideração dos bens recebidos:
"Aqueceu-se o meu coração
dentro de mim".


Salmo 38


Se, portanto, queres conseguir o amor divino, meditarás os bens recebidos de Deus. Demasiadamente duro seria, na verdade, quem considerando os benefícios divinos que alcançou, os perigos dos quais escapou, e a bem aventurança que lhe é prometida por Deus, que não se acendesse ao amor divino. De onde que diz Santo Agostinho:

"Dura é a alma do homem que,
posto que não queira retribuir o amor,
não queira pelo menos agradecer".


E, de modo geral, assim como os pensamentos maus destróem a caridade, assim os bons a adquirem, a alimentam e a conservam, de onde que nos é ordenado:

"Retirai os vossos maus pensamentos
dos meus olhos".


Is. 1


E também:

"Os pensamentos perversos
separam de Deus".


Sab. 1





23. Terceira disposição: afastar o coração
das coisas da terra.
Há também duas coisas que aumentam a caridade possuída, e a primeira é afastar o coração do que é terreno.
O coração, de fato, não pode ser trazido perfeitamente a coisas diversas, de onde que ninguém é capaz de amar a Deus e ao mundo. E por isso, quanto mais nos afastarmos do amor do que é terreno, tanto mais nos firmaremos no amor divino. De onde que Santo Agostinho diz no Livro das 83 Questões:

"A esperança de conseguir ou reter
o que é temporal
é veneno da caridade".


O seu alimento é a diminuição da cobiça; sua perfeição, a nenhuma cobiça, porque a raiz de todos os males é a cobiça.

Quem quer que, portanto, queira alimentar a caridade, insista em diminuir a cobiça.

A cobiça é o amor de conseguir ou obter o que é temporal, e o início de sua diminuição é o temor de Deus, o qual não pode somente ser temido, sem amor. É por esta causa que se ordenaram as religiões, nas quais e pelas quais a alma é trazida do que é mundano e corruptível ao que é divino, conforme se encontra escrito no Segundo de Macabeus, onde se lê:

"Refulgiu o Sol,
que antes estava entre nuvens".


II Mac. 1


O Sol, isto é, o intelecto humano, está entre nuvens quando entregue às coisas terrenas. Refulgirá, porém, quando for afastado e removido do amor do que é terreno. Resplandescerá, então, e nele crescerá o amor divino.



24. Quarta disposição: a firme paciência
na adversidade.
A segunda coisa que aumenta a caridade é a firme paciência na adversidade.
É manifesto, de fato, que quando sustentamos dificuldades por aquele a quem amamos, o próprio amor não é destruído; antes, ao contrário, ele cresce:

"As muitas águas",


isto é, as tribulações,

"não puderam extinguir
a caridade".


Cant. 8


É assim que os homens santos que sustentam adversidades por Deus mais se firmam em seu amor, assim como o artífice mais amará aquela sua obra na qual mais trabalhou. Daí também vem que os fiéis quanto maiores aflições por Deus sustentam, tanto mais se elevam no seu amor:

"Multiplicaram-se as águas",


isto é, as tribulações,

"e elevaram a arca ao alto",


Gen. 7


isto é, a Igreja, ou a alma do homem justo.

Só a Bíblia?



"Não seguirás o mau exemplo da multidão". Ex 23, 2.

Porque o Êxodo em massa ao Protestantismo?

http://www.fatima.org/port/crusader/cr87/cr87pg58.asp

Por John Vennari
(...)
Quero deixar claro que nessas apologéticas, estamos falando sobre posições, e não sobre pessoas. Estamos olhando a posição Católica versus a posição Protestante. Tenho certeza que todos nós conhecemos Protestantes que são modelos de virtude natural, e tenho certeza que todos conhecemos Católicos que não vivem de acordo com as normas de bondade e justiça que nossa Fé requer. Mas pessoas não contam nas Apologéticas, somente as posições.

E começaremos olhando para o princípio fundamental Protestante “Somente a Bíblia”. (...)O Protestante acredita estar em solo firme, pois diz que acredita e aceita a Bíblia e somente a Bíblia, como única regra da Fé.(...)
Portanto a primeira pergunta a fazer é: quão estável é este suporte Protestante? (...)
Lá estava ele, um Ministro Presbiteriano – um Professor Presbiteriano – ensinando a jovens adultos.

E um dos mais inteligentes alunos da classe perguntou, “Dr. Hahn, o senhor sabe a maneira como nós Presbiterianos acreditamos que somente a Bíblia é a única regra da fé Cristã, e nós seguimos a Bíblia e somente a Bíblia – e não a Bíblia e a Tradição?”

Hahn disse “sim”

O aluno disse, “Bem, e em que lugar da Bíblia isso é dito?”

Hahn respondeu, “Que pergunta mais estúpida!”

Assim que falou isso Hahn disse a si mesmo, “Você nunca falou assim com um aluno antes. Você nunca respondeu a um aluno insultando-o.”

Mas a razão pela qual Hahn respondeu daquela maneira foi porque ele sabia que não tinha uma resposta.

Hahn disse, “Bem, em Timóteo 2o., 3:16”

Mas o estudante retrucou, “Não, Timóteo 2º., 3:16 diz ‘Toda Escritura, inspirada por Deus, deve ser aproveitada para ensinar, para reprovar, para corrigir, em instrução, em justiça’. Diz que as Escrituras são úteis! Não diz que só devamos acreditar na Bíblia!”

Então Hahn disse, “Bem, veja o que Nosso Senhor diz sobre a Tradição em Mateus 15”.

Mais uma vez o aluno respondeu, “Bem, nada! Nosso Senhor não estava condenando toda Tradição, mas Ele estava condenando a tradição corrupta dos Fariseus”.

, após mais algumas tentativas frustradas de citar as Escrituras, Hahn anunciou que a aula chegara ao final e que poderiam continuar na próxima semana.

Agora, Dr. Hahn percebeu que não havia respondido à pergunta do aluno. E o aluno sabia que sua pergunta não tinha sido respondida.

Hahn foi para casa suando frio aquela noite e pensava, “Qual é a resposta para aquela pergunta?”(...)

Foi aí que Scott Hahn percebeu que o princípio central, fundamental do Protestantismo – somente a Bíblia – não é Bíblico!

Esta é uma tremenda contradição, e uma das razões pelas quais nunca poderia ser um Protestante. O Protestantismo alega que a base de seu sistema de crença é somente a Bíblia, mas o princípio de “Somente a Bíblia” é um princípio não bíblico; é um princípio que não é encontrado em nenhum lugar da Bíblia.

Sem Base na História

Em segundo lugar, o princípio de que “somente a Bíblia como única regra de Fé”, não pode ser um verdadeiro princípio do Cristianismo pois não tem base na história do Cristianismo.

Como os primeiros cristãos aprenderam sua Fé?

(...)Ele ordenou: “vão em frente e ensinem todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Ele disse a Pedro, “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja” (Mat. 16:18). E São Paulo ensinou claramente que é a Igreja que é o pilar e o mastro principal da verdade (Tim. 1, 3:16).

Nosso Senhor deu a Pedro a autoridade, e incumbiu os Apóstolos a pregar em Seu nome. “Como meu Pai me enviou eu também vos envio”. (João 20:21).

Nosso Senhor não escreveu livros. Tampouco disse aos seus Apóstolos: “Sentem-se e escrevam Bíblias e as espalhem sobre a terra, e que cada homem leia sua bíblia e julgue por si mesmo”, o que é a essência do Protestantismo (...) Como disse, Nosso Senhor fundou uma Igreja para pregar em Seu Nome: “Aquele que os escutam, é a Mim que está escutando, aquele que os rejeitam é a Mim que rejeitam” (Lucas 10:16). “E aquele que não ouvir a Igreja, seja considerado pagão e pecador público”. (Mat: 18:17)
A Igreja e a Fé existiam antes do Novo Testamento. Somente cinco dos doze Apóstolos escreveu algo! A Igreja estava ensinando, administrando sacramentos, os Apóstolos estavam perdoando pecados, a Igreja fazia mártires de sete a dez anos antes que uma só letra fosse escrita num pergaminho.(...)

E foi a Igreja Católica, no Concílio de Cartago em 397 DC, através da orientação do Espírito Santo, que determinou de uma vez por todas, qual era o Cânone do Novo Testamento; que decidiu que livros foram divinamente inspirados e quais não foram.(...)

Foi a Igreja Católica que juntou o Novo Testamento, agregou-o ao Velho Testamento, e entregou a Bíblia ao mundo. Foi a Igreja Católica que produziu a Bíblia, não foi a Bíblia que produziu a Igreja.

Portanto, como disse, o princípio Protestante de “Somente a Bíblia” não tem base na história. A religião Católica é a única religião que pode responder à pergunta “Quem disse isso?” – ou seja “quem disse que a Bíblia é a palavra escrita de Deus?”(...)

Um dos muitos Protestantes que finalmente descobriram esta verdade foi um homem chamado Paul Whitcomb.(...)

Isso é explicado em um folheto já esgotado chamado A Bíblia me Tornou um Católico.

O Sr. Whitcomb estudou as Escrituras através do método “interpretação por correlação”.

O método funciona da seguinte maneira. Ele focava em determinada frase das Escrituras, como por exemplo “Filho de Deus”, e procurava nas Escrituras cada vez que aquela frase era usada, a fim de encontrar a verdade Bíblica do significado daquela frase.

Quando usou esta interpretação por correlação para a palavra “Igreja”, foi levado a uma descoberta inesperada (resumida aqui em quatro pontos).


1) Sua primeira descoberta, disse, foi de que a “Igreja” na Bíblia era definida como “um corpo” – e não somente um corpo humano, mas um Corpo Divino – o Corpo Místico do Próprio Cristo.

“Ele é também a Cabeça daquele corpo que é a Igreja”(Colossenses, 1:18)
“Ora, vocês são o corpo de Cristo e membros dele cada qual por sua parte” (Coríntios I, 12:27)

“Pois somos membros do seu corpo” (Efésios, 5:30)

2) O Sr. Whitcomb também descobriu que esta Igreja não era um corpo desmembrado, mas sim um corpo unificado.

“Haverá um só rebanho e um só pastor” (João, 10:16)

“Eu lhes dei a Glória que me destes, para que eles sejam um, assim como nós somos um” (João 17:22).

“Há um só corpo e um só espírito, como também uma só esperança... um só Senhor, uma só Fé, um só Batismo” (Efésios 4:4-5).

O Sr. Whitcomb percebeu claramente que este corpo – a Igreja – era constituído como único: único em membros, único em crença, único em adoração, e único em governança.

3) Então ele percebeu que esta Igreja deve ser uma Igreja de ensinamentos. E não apenas isso, mas uma Igreja de ensinamentos infalíveis:

“De Deus recebi todo o poder no céu e na terra. Portanto vão e façam de todos os povos discípulos meus, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar o que eu ordenei” (Mateus 28:18-20).

4) Percebeu que Nosso Senhor pedia a divina proteção para aquela autoridade que ensinava:

“Eu lhes disse estas coisas enquanto permaneço com vocês. Mas o Peráclito, o Espírito Santo, que o Pai vai enviar-lhes em Meu nome, ele lhes ensinará todas as coisas e lhes recordará tudo o que eu lhes disse. Quando vier o Peráclito, que eu lhes enviarei da parte do Pai, ele dará testemunho de mim, porque desde o princípio estão comigo” (João 14:25-26 – 15:26-27)
Leu também em Timóteo 1 3:15

“Enquanto lhe escrevo isso …que você saiba como se comportar na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade”

“Após ler tudo isso, ele notou, “ Eu estava perturbado pela descoberta dessa verdade Bíblica ... pois [como Protestante] não era membro de uma Igreja que ensina, muito menos de uma Igreja que ensina a verdade infalível”.

Pois essa “igreja” nem existe no sistema Protestante.(...) Mas desejo reiterar que uma sólida contra – reforma apologética é mais importante do que nunca.

Não imitem os Protestantes!(...)Também acho necessário, a fim de parar o fluxo de Católicos ao Protestantismo, é importante que , em nossos esforços, não imitemos o Protestantismo ou os maneirismos Protestantes, mas sim, imitemos os santos.(...)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Êxodo de católicos para o protestantismo : o erro.


Porque o Êxodo em massa ao Protestantismo?

http://www.fatima.org/port/crusader/cr87/cr87pg58.asp

Por John Vennari

Quando o Papa Bento XVI veio ao Brasil em Maio passado (2007), havia notícias em todo o mundo de que um dos problemas mais críticos que ele deveria abordar na América do Sul era o do êxodo em massa dos Católicos para diversas formas de Protestantismo.

Na época, os jornais reportaram:

1) Os ministros Protestantes superavam na proporção de 2 para 1 os padres Católicos;

2) A Igreja esperava de 300 a 400 mil pessoas para a Missa ao ar livre do Papa Bento no Santuário de Aparecida, mas somente 150 mil compareceram;

3) Por volta do mesmo horário, os Protestantes faziam seu evento anual “Marcha para Jesus”, ao qual compareceram 1.5 milhões de pessoas;
Creio que foi o Cardeal Hume, da Sagrada Congregação do Clero, que disse que na América do Sul havia uma hemorragia de Católicos para o Protestantismo.

O que desejo fazer esta manhã é abordar o que acredito serem algumas das razões deste êxodo em massa estar acontecendo, como também, com todo respeito, dar algumas recomendações do que pode ser feito sobre isso.
Com relação às razões: vou listar três razões, mas não necessariamente em ordem cronológica.

A primeira razão: Temos que reconhecer que a América do Sul tem sido alvo do Protestantismo desde os anos 50. O Padre John Harden, um teólogo Jesuíta americano, conta que em 1957, participava de um encontro do Conselho Mundial de Igrejas, em um cargo oficial para o Vaticano. Nessa reunião, as lideranças do Conselho Mundial de Igrejas incitavam os missionários Protestantes a focar agressivamente a América do Sul com uma campanha de proselitismo a fim de aumentar as conversões. O CMI estava ciente de que a América do Sul era predominantemente Católica, e o objetivo do CMI era romper a força da Igreja Católica na América Latina.

A segunda razão: O Sr. Nelson Rockfeller, o multi-milionário globalista e humanista, publicou uma reportagem sobre a América Latina em 1969/1970. Nessa reportagem Rockfeller diz que na América Latina a Igreja Católica NÃO era uma aliada dos Estados Unidos – e que “nós” deveríamos portanto promover várias seitas Evangélicas não-Católicas na América Latina.
E acreditem; Rockfeller foi capaz de fornecer enormes quantias de fundos para espalhar o Protestantismo na América Latina.
Portanto, essas duas informações indicam que a América Latina foi alvo de uma campanha agressiva, organizada e rica do proselitismo Protestante para enfraquecer a Igreja Católica; e para afastar almas da verdadeira Fé.
E isso nos leva à terceira razão:

Temos que reconhecer que essa campanha não poderia ter sido bem sucedida se a Igreja Católica na América do Sul opusesse forte resistência; se o clero e os laicos tivessem simplesmente desenrolado a bandeira da Igreja e travado sua própria campanha, corajosa, de contra-reforma.
Mas algo aconteceu que impediu que muitos de nossos Clérigos influentes abandonassem o conceito de Igreja militante; que muitos de nossos Clérigos tivessem vergonha de se engajarem em atividades de contra-reforma. E o mais significativo evento que efetivamente matou a verdadeira militância Católica, que matou as atividades contra-reforma, e que deixou a Igreja aberta aos saques do Protestantismo foi o Vaticano II e o novo espírito do ecumenismo.

Este novo espírito de colaboração ecumênica com o Protestantismo efetivamente esmagou as trincheiras de proteção Católica contra os erros do Protestantismo, e os erros do naturalismo. Esse novo espírito também acabou com os pronunciamentos dos Anáthemas. Não queremos condenações, mas sim, queremos simplesmente promover os aspectos positivos da Fé.

Na verdade isso é contrário ao espírito do Próprio Cristo. Sabemos, ao ler o Evangelho, que Nosso Senhor não fez só um ou outro: Ele fez ambos: Ele pronunciou a verdade e a bondade da Fé Católica. Ele disse aos seus apóstolos: “Vão em frente e preguem a todas as nações, batizando-as em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Mas ele também ameaçou os excomungados: Aquele que acreditar e for batizado será salvo; aquele que não crer será condenado”.

O falecido Dr. Romano Amerio, grande teólogo do Vaticano II, que era admirado pelo Papa Bento XVI, disse o seguinte a respeito do novo espírito de não condenação dos erros:
“O estabelecimento do princípio da misericórdia em contrapartida ao da severidade, ignora o fato de que na mente da Igreja, a condenação dos erros é em si própria um ato de misericórdia, uma vez que, apontando os erros, aqueles que os estão cometendo são corrigidos e outros serão impedidos de caírem neles”.

Agora, o novo espírito ecumênico teve um efeito danoso na catequese Católica. Desde a época do Conselho, era considerado ofensivo aos Protestantes ensinar que a Igreja Católica é a única e verdadeira Igreja. Como resultado, uma das primeiras coisas que desapareceu do treinamento de nossos jovens Católicos, foi a sólida apologética Católica de que só a Igreja Católica é a única e verdadeira Igreja estabelecida por Nosso Senhor.
E, como resultado, temos agora duas gerações completas de Católicos a quem – de maneira geral – não foram ensinadas esta verdade. E atrevo-me a dizer: temos agora duas gerações completas de seminaristas a quem não foram ensinadas esta verdade.

E, com sua permissão, eu falo com experiência. Nasci em 1958. Estudei 13 anos em escola Católica – ou seja; jardim da infância, primário e colegial. Estava na escola durante o Vaticano II e as reformas subseqüentes. Nunca ouvi falar em Apologéticas Católicas até os 22 anos de idade.
Na escola nunca recebi ensinamentos que a Igreja Católica é a única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo.

E lamento dizer que, se tivesse acreditado no que me foi ensinado em 12 anos de escola Católica, já teria perdido minha fé há muito tempo. Foi-nos ensinado um evangelho mais social: um evangelho suave e efeminado, sem dentes nem espinha dorsal.

Conheci a minha fé primeiramente através de livros antigos que meus pais tinham em casa, e depois através de intensas pesquisas e estudos.
Portanto, com o novo espírito ecumênico que foi lançado pelo Conselho, muitos Clérigos não mais se opuseram ao Protestantismo, não mais ensinaram que a Igreja Católica era a única e verdadeira Igreja estabelecida por Nosso Senhor. E, convenhamos, sem essa educação e treinamento firmes, os laicos foram abandonados sem as defesas que precisavam para resistir ao agressivo avanço do Protestantismo.Uma Vibrante Campanha de Contra-Reforma

Agora, como recomendação do que pode ser feito, acredito que o que necessitamos desesperadamente é de uma forte campanha de ensinamentos Católicos aos laicos, que reitere a verdade de maneira descompromissada, de que a Igreja Católica é a única e verdadeira Igreja estabelecida por Cristo, e que um Católico que abandona a fé Católica para seguir uma seita Protestante não salvará sua alma. O Católico que abandona o Catolicismo pelo Protestantismo poderá – de maneira objetiva – cair sob os solenes anátemas do Concílio de Trento.

Aderir ao Protestantismo é abandonar o Sacramento da Confissão.
O Concílio de Trento prega infalivelmente: “Se alguém disser que a Penitência na Igreja Católica não é um sacramento verdadeiro e correto, instituído por Cristo Nosso Senhor para reconciliar os fiéis com Deus, todas as vezes que caem em pecado após o batismo, que ele seja excomungado”.
Aderir ao Protestantismo é abandonar a crença na Presença Real de Nosso Senhor nos Santos Sacramentos.

O Concílio de Trento prega infalivelmente: “Se alguém negar que no Sacramento da Sagrada Eucaristia estão contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente, o corpo e o sangue junto com a alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, e consequentemente o Cristo completo; mas disser que Ele está presente somente como um sinal, ou figura, ou virtude, que ele seja excomungado.

Aderir ao Protestantismo é abandonar a crença no Sagrado Sacrifício da Missa

O Concílio de Trento prega infalivelmente: “Se alguém disser que o sacrifício da missa é somente um sacrifício para louvar ou dar graças; ou que é uma mera comemoração do sacrifício consumado na cruz, mas não um sacrifícioConciliatório; ou que somente a pessoa que o recebe o aproveita; e que não deve ser oferecido aos vivos e aos mortos pelos seus pecados, penas, satisfações, e outras necessidades; que ele seja excomungado.

Como disse, o Católico que abandona o Catolicismo pelo Protestantismo não pode evitar – de maneira objetiva – de cair sob os solenes anátemas do Concílio de Trento. Ele não salvará sua alma.

Esta é a realidade de nossa Fé Católica que deve ser ensinada, não de maneira abrupta ou beligerante, mas ensinada firme e amorosamente – sempre mostrando às pessoas o grande amor de Deus em Seu sofrimento e morte na Cruz por nós; e Seu amor em criar uma Igreja e Seu amor em dar-nos sete sacramentos. A operação da graça não muda, e as experimentadas e verdadeiras apologéticas Católicas podem ainda fazer milagres pela salvação das almas.

Portanto, quero revisar alguns pontos das apologéticas Católicas normais. As considerações que aqui faço podem ser úteis para os seus.
Quero deixar claro que nessas apologéticas, estamos falando sobre posições, e não sobre pessoas. Estamos olhando a posição Católica versus a posição Protestante. Tenho certeza que todos nós conhecemos Protestantes que são modelos de virtude natural, e tenho certeza que todos conhecemos Católicos que não vivem de acordo com as normas de bondade e justiça que nossa Fé requer. Mas pessoas não contam nas Apologéticas, somente as posições.

E começaremos olhando para o princípio fundamental Protestante “Somente a Bíblia”.

Bíblia: A Única Regra da Fé?

O Protestante acredita estar em solo firme, pois diz que acredita e aceita a Bíblia e somente a Bíblia, como única regra da Fé.
Esta é a doutrina central Protestante da Sola Scriptura – a Bíblia sozinha é a única regra de Fé. É a Bíblia e somente a Bíblia que é o Pilar e Suporte da verdade.

Portanto a primeira pergunta a fazer é: quão estável é este suporte Protestante? O Protestante está realmente em terra firme quando diz que a Bíblia sozinha é a única regra de Fé?

Há um conhecido convertido ao Catolicismo nos Estados Unidos chamado Scott Hahn – um ministro Protestante que tornou-se Católico. Parte de sua história de conversão nos dá boas respostas a esta questão (Eu pessoalmente gostaria que o Dr.Hahn tivesse se tornado um pouco mais tradicional após sua conversão, mas isso não diminui a força da história)
Dr. Hahn foi ministro Presbiteriano, que, em seus dias de seminarista, era veementemente anti-Católico. Subsequentemente, como ministro, fez um tremendo estudo das Escrituras, pois queria que seus sermões fossem impregnados das Escrituras.

Mas, quanto mais ele estudava as Escrituras, mais ele percebia que as verdades nas quais os Católicos acreditavam, particularmente manifestadas nos ensinamentos dos antigos Pais da Igreja – São Jerônimo, São Basílio, Santo Agostinho - eram firmemente enraizadas nas Sagradas Escrituras. Esses Pais da Igreja eram Católicos. Cada um deles celebrava o Santo Sacrifício da Missa!

Não vou contar toda sua história, mas quero ressaltar um evento crucial que foi decisivo para sua conversão. Foi algo que ocorreu enquanto ele lecionava.

Lá estava ele, um Ministro Presbiteriano – um Professor Presbiteriano – ensinando a jovens adultos.
E um dos mais inteligentes alunos da classe perguntou, “Dr. Hahn, o senhor sabe a maneira como nós Presbiterianos acreditamos que somente a Bíblia é a única regra da fé Cristã, e nós seguimos a Bíblia e somente a Bíblia – e não a Bíblia e a Tradição?”

Hahn disse “sim”

O aluno disse, “Bem, e em que lugar da Bíblia isso é dito?”

Hahn respondeu, “Que pergunta mais estúpida!”

Assim que falou isso Hahn disse a si mesmo, “Você nunca falou assim com um aluno antes. Você nunca respondeu a um aluno insultando-o.”

Mas a razão pela qual Hahn respondeu daquela maneira foi porque ele sabia que não tinha uma resposta.

Hahn disse, “Bem, em Timóteo 2o., 3:16”

Mas o estudante retrucou, “Não, Timóteo 2º., 3:16 diz ‘Toda Escritura, inspirada por Deus, deve ser aproveitada para ensinar, para reprovar, para corrigir, em instrução, em justiça’. Diz que as Escrituras são úteis! Não diz que só devamos acreditar na Bíblia!”

Então Hahn disse, “Bem, veja o que Nosso Senhor diz sobre a Tradição em Mateus 15”.

Mais uma vez o aluno respondeu, “Bem, nada! Nosso Senhor não estava condenando toda Tradição, mas Ele estava condenando a tradição corrupta dos Fariseus”.

Então, após mais algumas tentativas frustradas de citar as Escrituras, Hahn anunciou que a aula chegara ao final e que poderiam continuar na próxima semana.

Agora, Dr. Hahn percebeu que não havia respondido à pergunta do aluno. E o aluno sabia que sua pergunta não tinha sido respondida.

Hahn foi para casa suando frio aquela noite e pensava, “Qual é a resposta para aquela pergunta?”

Ao chegar em casa telefonou para aqueles que considerava serem os maiores estudiosos Protestantes das escrituras nos Estados Unidos. E perguntou-lhes: “Pode ser que eu tenha dormido durante esta parte do meu treinamento no seminário, mas: vocês sabem a maneira como nós Protestantes acreditamos somente na Bíblia, e não nas Escrituras e Tradições – Onde na Bíblia isso é citado?”

E cada um desses estudiosos Protestantes disse: “Que pergunta mais estúpida!”

Então cada um desses professores invocou os mesmos versículos que Hahn tinha invocado: “Bem, há Timóteo 2º., 3:16” Ao que Hahn respondia como seu aluno, “Não esse versículo só diz que as Escrituras são úteis, e não que sejam a única regra de Fé”.

Cada um dos professores também disse, “Ora, existem as palavras de Nosso Senhor em Mateus 15”.

E Hahn retorquiu, “Não, Nosso Senhor não estava condenando toda a tradição, mas somente a tradição corrupta dos Fariseus.” E disse mais, “São Paulo nos instruiu em Tessalonicences 2º., 2:14 para resistirmos e “mantermos as tradições que aprendemos, seja por palavras, ou por nossas epístolas” (Thes. 2, 2:14).

E esses grandes sábios, esses mais eminentes teólogos Protestantes ficaram sem resposta.

Foi aí que Scott Hahn percebeu que o princípio central, fundamental do Protestantismo – somente a Bíblia – não é Bíblico!

Esta é uma tremenda contradição, e uma das razões pelas quais nunca poderia ser um Protestante. O Protestantismo alega que a base de seu sistema de crença é somente a Bíblia, mas o princípio de “Somente a Bíblia” é um princípio não bíblico; é um princípio que não é encontrado em nenhum lugar da Bíblia.

Sem Base na História

Em segundo lugar, o princípio de que “somente a Bíblia como única regra de Fé”, não pode ser um verdadeiro princípio do Cristianismo pois não tem base na história do Cristianismo.

Como os primeiros cristãos aprenderam sua Fé?
Como a Fé era comunicada a eles?
Como foi que Nosso Senhor pediu aos Apóstolos para comunicarem a Fé, as verdades que devem ser acreditadas para a salvação?
Ele ordenou: “vão em frente e ensinem todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Ele disse a Pedro, “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja” (Mat. 16:18). E São Paulo ensinou claramente que é a Igreja que é o pilar e o mastro principal da verdade (Tim. 1, 3:16).

Nosso Senhor deu a Pedro a autoridade, e incumbiu os Apóstolos a pregar em Seu nome. “Como meu Pai me enviou eu também vos envio”. (João 20:21).

Nosso Senhor não escreveu livros. Tampouco disse aos seus Apóstolos: “Sentem-se e escrevam Bíblias e as espalhem sobre a terra, e que cada homem leia sua bíblia e julgue por si mesmo”, o que é a essência do Protestantismo – cada indivíduo lê a Bíblia e decide para si quais são as verdades do Cristianismo. Não! Como disse, Nosso Senhor fundou uma Igreja para pregar em Seu Nome: “Aquele que os escutam, é a Mim que está escutando, aquele que os rejeitam é a Mim que rejeitam” (Lucas 10:16). “E aquele que não ouvir a Igreja, seja considerado pagão e pecador público”. (Mat: 18:17)

A Igreja e a Fé existiam antes do Novo Testamento. Somente cinco dos doze Apóstolos escreveu algo! A Igreja estava ensinando, administrando sacramentos, os Apóstolos estavam perdoando pecados, a Igreja fazia mártires de sete a dez anos antes que uma só letra fosse escrita num pergaminho.

A Igreja estava espalhada por todo o Império Romano antes que uma só palavra do Novo Testamento fosse escrita. Tínhamos santos e mártires Católicos antes de termos Evangelhos e Epístolas.

O primeiro Evangelho foi escrito por São Mateus, cerca de sete anos após Nosso Senhor ter deixado este mundo. O próximo foi o Evangelho de Marcos, escrito 10 anos após Cristo ter subido aos céus. O Evangelho de São Lucas foi escrito 25 anos após a Ascenção de Nosso Senhor, e o Evangelho de João foi escrito 63 anos após Nosso Senhor ter deixado esta terra. O Apocalipse foi escrito 65 anos após a Ascenção de Nosso Senhor. E tudo isso foi escrito, como reitera o Papa Leão XIII, sob a Divina Inspiração.

Sendo assim, como é que os primeiros Cristãos se tornaram Cristãos e salvaram suas almas? Lendo a Bíblia? Não, pois não havia o Novo Testamento.

Vimos que o Novo Testamento nem havia sido terminado 65 anos após Nosso Senhor Ascender ao Céu.
Mas isto não é tudo.

Por mais de trezentos anos, a Igreja não tinha todos os livros da Bíblia compilados em um só livro.
E isto nos leva diretamente à questão da Autoridade.
Pois se você me der um livro – chamado A Bíblia. E você me disser que tudo naquele livro é a infalível palavra de Deus, a primeira coisa que vou perguntar é, “Quem disse isso?”
“Quem disse isso?”

Os livros não se escrevem sozinhos. Livros de múltiplos autores não se compilam sozinhos em um grande livro, e depois se auto-proclamam terem sido escritos pela palavra de Deus.

Não! Alguém, ou algum núcleo social, a quem Deus outorgou a autoridade de ensinar; de ensinar em Seu Nome; de ensinar infalivelmente, que pode me dizer isso. Somente uma autoridade como essa pode me dizer que esse livro é a palavra infalível de Deus.

E foi a Igreja Católica, no Concílio de Cartago em 397 DC, através da orientação do Espírito Santo, que determinou de uma vez por todas, qual era o Cânone do Novo Testamento; que decidiu que livros foram divinamente inspirados e quais não foram.

Vocês se lembram que existiam vários outros “Evangelhos” e “Epístolas” em circulação; alguns escritos por homens bons e santos, mas que não foram palavras inspiradas por Deus (por exemplo, as Epístolas de São Clemente). Outros foram simples fabricações; como os chamados Evangelho de Pilatos ou o Evangelho de Nicodemos.
E foi a Igreja Católica que decidiu quais livros foram inspirados divinamente e quais não foram. Foi a Igreja Católica que juntou o Novo Testamento, agregou-o ao Velho Testamento, e entregou a Bíblia ao mundo. Foi a Igreja Católica que produziu a Bíblia, não foi a Bíblia que produziu a Igreja.

Portanto, como disse, o princípio Protestante de “Somente a Bíblia” não tem base na história. A religião Católica é a única religião que pode responder à pergunta “Quem disse isso?” – ou seja “quem disse que a Bíblia é a palavra escrita de Deus?”

E apareceu Gutenberg!
Mas o problema não pára aí. Pois se é necessário que eu leia a Bíblia para ser salvo, se a fé vem somente ao lermos a Bíblia, então a fé só vem pela intervenção da palavra impressa, que só foi inventada em meados do século 15 por Johannes Gutenberg.
Antes disso, todos os livros eram copiados manualmente. Era uma tarefa laboriosa, demorada e dispendiosa. Não era possível dar uma cópia da Bíblia a cada Católico, nem mesmo a cada família Católica.

Somente tivemos Bíblias distribuídas amplamente há pouco mais de 400 anos. Então o que acontecia com os milhões de Cristãos que viveram antes disso, que viveram toda a sua vida sem nunca terem visto uma Bíblia ou um texto impresso do Novo Testamento?

Então, a teoria de “Somente a Bíblia” – ou seja, de que seguindo só a Bíblia como caminho da salvação – pressupõe que a Bíblia deveria ter estado disponível a todos os homens desde a fundação do Cristianismo. Bem, já vimos que esse não foi o caso. Vimos que os livros do Novo Testamento foram escritos 65 anos após Nosso Senhor ter deixado a terra. E vimos que o Mundo Cristão não teve uma Bíblia completa e compilada antes de 397 DC; e que nem estavam disponíveis para distribuição em massa até meados do século 15. Portanto, o princípio “Somente a Bíblia” não tem base na história.

Conflitos com a Razão

Finalmente, o princípio de Somente a Bíblia é contrário à razão. Pois se você me der um livro e me falar que tudo o que é escrito nesse livro é a Palavra de Deus, e que devo lê-lo e acreditar Somente na Bíblia para a salvação, a primeira coisa que vou dizer-lhe é “Ótimo, então deixe-me em paz. Me dê essa Bíblia e eu decido qual é o verdadeiro sentido das Escrituras”.

Esse é essencialmente o sistema Protestante. Se você for a uma congregação Luterana, você estará vendo só a interpretação particular de Martinho Lutero sobre a Bíblia.

E se for a uma congregação Metodista, você estará vendo a interpretação particular da Bíblia por um indivíduo chamado John Wesley.
E se for a uma congregação Presbiteriana, você verá só a interpretação particular de John Knox, o fundador desse grupo.
E se você for membro de uma denominação Protestante, não há razão para que se levante e diga ao pregador; ”Irmão, eu acredito que não fales a verdade. Sua interpretação está errada! Eu encontrei o significado correto”.
E se você for muito zeloso e eloquente suficiente, e determinado, você poderá começar a pregar, e você poderá começar sua própria congregação Protestante – pois foi assim que todas elas começaram.
E percebemos que isso é consequencia da interpretação particular da Bíblia. Pois, de acordo com o sistema Protestante – que todo homem que lê a Bíblia e chega a sua própria interpretação – a conclusão lógica disso é que poderiam haver tantas religiões Protestantes tanto quanto forem os indivíduos. Para eles não há uma igreja estabelecida por Cristo para ensinar em Seu nome! Não existe uma autoridade estabelecida por Deus para dizer-me que talvez eu tenha cometido um erro!

Esta é uma das razões pelas quais eu nunca poderia ter sido um Protestante. Vejo que o princípio de “Somente a Bíblia” é contrário ao das Escrituras, não tem base histórica e é contrário à razão: pois termina em milhares de interpretações conflitantes das Escrituras, e é contrário ao que Nosso Senhor estabeleceu para o que seria Sua Igreja.

A Bíblia Me Tornou Católico!

Um dos muitos Protestantes que finalmente descobriram esta verdade foi um homem chamado Paul Whitcomb.

Paul Whitcomb era um ministro Protestante cujos intensos estudos das Sagradas Escrituras o fizeram aceitar a Igreja Católica como a única verdadeira Igreja edificada na Bíblia. Isso é explicado em um folheto já esgotado chamado A Bíblia me Tornou um Católico.
O Sr. Whitcomb estudou as Escrituras através do método “interpretação por correlação”.

O método funciona da seguinte maneira. Ele focava em determinada frase das Escrituras, como por exemplo “Filho de Deus”, e procurava nas Escrituras cada vez que aquela frase era usada, a fim de encontrar a verdade Bíblica do significado daquela frase.

Quando usou esta interpretação por correlação para a palavra “Igreja”, foi levado a uma descoberta inesperada (resumida aqui em quatro pontos).
1) Sua primeira descoberta, disse, foi de que a “Igreja” na Bíblia era definida como “um corpo” – e não somente um corpo humano, mas um Corpo Divino – o Corpo Místico do Próprio Cristo.
“Ele é também a Cabeça daquele corpo que é a Igreja”(Colossenses, 1:18)
“Ora, vocês são o corpo de Cristo e membros dele cada qual por sua parte” (Coríntios I, 12:27)
“Pois somos membros do seu corpo” (Efésios, 5:30)

2) O Sr. Whitcomb também descobriu que esta Igreja não era um corpo desmembrado, mas sim um corpo unificado.
“Haverá um só rebanho e um só pastor” (João, 10:16)
“Eu lhes dei a Glória que me destes, para que eles sejam um, assim como nós somos um” (João 17:22).
“Há um só corpo e um só espírito, como também uma só esperança... um só Senhor, uma só Fé, um só Batismo” (Efésios 4:4-5).
O Sr. Whitcomb percebeu claramente que este corpo – a Igreja – era constituído como único: único em membros, único em crença, único em adoração, e único em governança.

3) Então ele percebeu que esta Igreja deve ser uma Igreja de ensinamentos. E não apenas isso, mas uma Igreja de ensinamentos infalíveis:
“De Deus recebi todo o poder no céu e na terra. Portanto vão e façam de todos os povos discípulos meus, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar o que eu ordenei” (Mateus 28:18-20).

4) Percebeu que Nosso Senhor pedia a divina proteção para aquela autoridade que ensinava:
“Eu lhes disse estas coisas enquanto permaneço com vocês. Mas o Peráclito, o Espírito Santo, que o Pai vai enviar-lhes em Meu nome, ele lhes ensinará todas as coisas e lhes recordará tudo o que eu lhes disse. Quando vier o Peráclito, que eu lhes enviarei da parte do Pai, ele dará testemunho de mim, porque desde o princípio estão comigo” (João 14:25-26 – 15:26-27)
Leu também em Timóteo 1 3:15
“Enquanto lhe escrevo isso …que você saiba como se comportar na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade”
“Após ler tudo isso, ele notou, “ Eu estava perturbado pela descoberta dessa verdade Bíblica ... pois [como Protestante] não era membro de uma Igreja que ensina, muito menos de uma Igreja que ensina a verdade infalível”.
Pois essa “igreja” nem existe no sistema Protestante.

O Sr. Whitcomb continua:

“A Igreja da qual eu era membro, como todas as outras igrejas Protestantes, ao contrário mantinha que a Bíblia é a única distribuidora e garantia da verdade divinamente autorizada, que se alguém será salvo ele deverá aprender através da Bíblia o que deve fazer para ser salvo. De acordo com a crença Protestante, a única responsabilidade da Igreja é garantir aos “salvos”, aqueles que professam Cristo como Senhor e Salvador, um lugar onde possam se reunir na ‘comunhão da oração’”.
“Isso apesar do fato de que nos primeiros quatrocentos anos não havia uma bíblia Cristã publicada;
“Apesar do fato de que nos próximos mil anos até a invenção da imprensa escrita, havia pouquíssimas Bíblias;
“Isso apesar do fato de que aqueles que fizeram da Bíblia sua única regra de Fé inventaram centenas de regras de fé conflitantes;
“Isso apesar do fato de que a própria Bíblia afirma que muitos que a interpretam privadamente (II Pedro 3:16) a interpretarão erroneamente”.

Para encurtar a história, O Sr. Whitcomb explicou que a única “Igreja” que se encaixava na descrição de “Igreja” encontrada na Bíblia, era a Igreja Católica. (Ele também percebeu que a Bíblia não diz tudo, como João 21:25 nos diz “há muitas outras coisas que Jesus fez e que, se fossem escritas uma por uma, creio que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que seriam escritos”).

Foi a Igreja Católica, segura em sua infalível autoridade outorgada por Nosso Senhor que nos deu a Bíblia, e é somente pela autoridade da Igreja Católica que sabemos com certeza que a Bíblia é a verdadeira palavra de Deus. Foi por isso que Santo Agostinho, no século quarto falou: “Eu não acreditaria nos Evangelhos, caso a autoridade da Igreja Católica não me movesse a fazê-lo”.

Isso é somente um resumo desses tópicos. Não tive tempo de desenvolver para vocês as bases bíblicas de rezar para os anjos e santos, pela devoção de Nossa Mãe Bendita, e outros aspectos da doutrina Católica. Mas desejo reiterar que uma sólida contra – reforma apologética é mais importante do que nunca.

Não imitem os Protestantes!

Também acho necessário a fim de parar o fluxo de Católicos ao Protestantismo, é importante que , em nossos esforços, não imitemos o Protestantismo ou os maneirismos Protestantes, mas sim, imitemos os santos.

E o santo em particular que estou pensando é um Santo que passou um tempo na América Latina, Santo Antonio Maria Claret, ex Arcebispo de Santiago, Cuba, reconhecido por seus milagres e leitura de almas.

Quero contar-lhes uma pequena lição que ele deu a um padre, e ocorreu em Madrid, antes do santo ir a Cuba.

Um padre chamado Dom Hermenegildo, na Espanha, era conhecido por suas eloqüentes pregações, e um dia ele pregou um sermão brilhante e inflamado. Santo Antonio Maria Claret assitiu ao sermão.
Don Hermenegildo recebeu muitos elogios por seu sermão, mas o Arcebispo Claret não o cumprimentou, mas se retirou silenciosamente.
Esse fato perturbou muito Dom Hermenegildo, e na manhã seguinte visitou Santo Antonio Maria Claret.

Dom Hermenegildo disse ao Arcebispo Claret, “Perdoe-me, Vossa Excelência, por perturbá-lo com esta visita inoportuna. Gostaria de aliviar meu coração com o senhor. Não consegui dormir a noite toda. Diga-me Arcebispo, meu sermão de ontem não o agradou? Seu silêncio foi como um aviso e uma reprovação para mim!”

Antonio Maria Claret, com a caridade de um santo, queria consolá-lo e encorajá-lo, mas também queria dar-lhe um aviso importante.
O Santo respondeu, “Diga-me, Dom Hermenegildo, você nunca pregou sobre a salvação da alma ou sobre o terrível infortúnio dos condenados?
“Não, Vossa Excelência, nunca preguei sobre esses assuntos”.
“Já pregou sobre a morte, o julgamento, sobre o inferno, sobre a necessidade da conversão, de se evitar o pecado e fazer penitência?”
“Também nunca preguei diretamente sobre esses assuntos”
“Então meu amigo, vou lhe falar com toda sinceridade, como você pediu. Seu sermão não me agradou, e tampouco posso aprovar o procedimento daqueles que em seus sermões omitem essas grandes verdades do Cristianismo e só tocam nesses assuntos como obrigação mas não para salvar almas. Não acho tais sermões nem agradáveis e nem aprovados por Nosso Senhor, Jesus Cristo.”.

Dom Hermenegildo ouviu e permaneceu calado, mas logo a população de Madrid notou uma mudança radical em seu famoso pregador. Anteriormente as pessoas aplaudiam a eloqüência de Dom Hermenegildo, mas agora choravam em pio arrependimento durante seus sermões.

Quanto a Santo Antonio Maria Claret, ele foi a Cuba em 1850, onde permaneceu por somente seis anos. Em pouco tempo ele restaurou, material e espiritualmente, a abatida Arquidiocese de Santiago. Mais que dobrou o número de paróquias: restabeleceu o seminário diocesano, de onde nenhum padre havia sido ordenado em 30 anos; levantou a moral e o zelo do clero bem como seu salário; também ajudou a formação de várias comunidades religiosas, que antes haviam sido reprimidas ou proibidas por lei.

Tenho certeza que poderíamos aprender muito mais através do cuidadoso estudo de sua vida e aplicar à presente situação.

Para terminar, acredito que uma sólida apologética de contra reforma, fidelidade à Mensagem de Nossa Senhora de Fátima, e uma aplicação da piedade e zelo missionário dos santos – como Santo Antonio Maria Claret – terá grande efeito na evangelização das pessoas e no retorno da America Latina à Fé Católica.
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